O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 14/01/2021
Felicidade: exterior ou interior?
Para, o filósofo alemão, Shopenhauer, a felicidade deve ser buscada dentro de cada um. Entretanto, atualmente, a população busca o “ter” em detrimento do “ser”. Sob essa perspectiva encontra-se o trabalho de influenciador digital; pessoas que expõem uma falsa realidade e fazem propagandas em suas páginas nas redes sociais influenciando, muitas vezes de maneira irresponsável, diversos jovens a comprar determinado produto, até mesmo cirurgias e procedimentos estéticos. Dessa forma, fica evidente a importância de avaliar os impactos dos influenciadores na formação dos jovens e da própria sociedade.
É preciso entender, primeiramento, o perigo acerca de se consumir um conteúdo irresponsável. Em 2020, por exemplo, houve um surto de cirurgias plásticas no mundo das blogueiras brasileiras, uma empresa de estética as contratou para fazerem a cirurgia e divulgar, buscando convencer os seguidores que é possível se ter o “corpo perfeito”. Em contrapartida, influencers como Evelyn Regly e Stefhane Matos buscam o contrário, com o propósito de alertar seus seguidores sobre os perigos das cirurgias plásticas e incentivar uma vida saudável. Nesse contexto, a escolha de qual influencia seguir, seja ela boa ou ruim, é determinada pelo próprio usuário da rede.
Além disso, essa intervenção não fica só no campo do consumismo, mas em todo um pensamento social voltado para a exposição. Sob esse prisma, os valores atuais se pautam no quanto se é visto, cada um pode criar a imagem que quiser na internet, e mostrar uma vida invejável para o maior número de pessoas é o que importa. O filósofo Guy Debord criou o termo “Sociedade do Espetáculo”, que diz muito sobre a vida dos influenciadores digitais, onde tudo é feito para ser mostrado, não importando o que de fato se acontece na realidade. Por conseguinte, muitos jovens entram em depressão por abrir sua rede social e se deparar com um mundo perfeito onde só ele, que tem consciência de seus problemas, não se encaixa.
É imprescindível, portanto, se ter atenção sob quais influencias digitais a juventude está exposta. Cabe ao Ministério da Educação, em parceria com a mídia, conscientizar o jovem das influencias positivas e negativas que se pode ter na internet, por meio de palestras nas escolas que podem ser transmitidas nas próprias redes sociais, a fim de criar um posicionamento crítico para poderem escolher conteúdos saudáveis. Ademais, o Legislativo pode criar leis impondo limite nos produtos em propaganda na internet. Dessa forma, talvez, a sociedade faria melhores escolhas, podendo até mesmo alcançar a verdadeira felicidade, para Schopenhauer, a interior.