O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 15/01/2021
Com o advento da Revolução Informacional no final do século XX, fruto da Terceira Revolução Industrial, o amplo acesso às redes digitais possibilitou a difusão instantânea de informações e a quebra de barreiras no âmbito da comunicação. Esse cenário propiciou, também, o surgimento dos influenciadores digitais, que, por meio da produção de conteúdo publicitário e de entretenimento, são capazes de persuadir milhões de usuários da Internet. Contudo, o mau uso desse poder “influencer” é prejudicial na formação dos jovens, que estão cada vez mais alienados e reféns dos padrões de consumo, estético e ideológico impostos por essas pessoas.
De acordo com o Comitê Gestor da Internet no Brasil, cerca de 86% das crianças e adolescentes são usuárias da Internet. Por ser uma faixa etária em formação, elas estão ainda mais sujeitas às diversas formas de influência do meio virtual, enfrentando, diariamente, o bombardeamento de informações que fomentam o consumo de produtos e dos estilos de vida dos “blogueiros”. Dessa maneira, formam-se padrões, geralmente inalcançáveis, que causam frustrações nos indivíduos que não conseguem se encaixar. É comum, na plataforma do Instagram, a propagação e a idealização do corpo perfeito, fazendo com que muitas meninas passem a sentir insatisfação com o próprio corpo, levando à procura por procedimentos estéticos. Em 2020, após a divulgação em massa da lipoaspiração HD por influenciadoras, a busca por essa cirurgia, altamente perigosa, aumentou em 350%.
Além disso, a exposição excessiva a esse tipo de influência pode lesar a construção do senso crítico e da capacidade intelectual dos jovens. Não raro, observa-se que as redes sociais têm se tornado um terreno fértil para a reprodução de notícias falsas, de teorias da conspiração e do negacionismo científico, formando uma espécie de “bolha virtual”. Nesse sentido, o documentário “O Dilema das Redes” retrata o cenário de um adolescente que, sem perceber, é imerso nas redes de extrema-direita obscurantistas e, assim, acaba preso inocentemente em uma manifestação desse grupo. Com isso, conclui-se que a manutenção desse cenário, em breve, também poderá causar danos à democracia.
Diante do que foi exposto, é imprescindível que medidas sejam tomadas para minimizar o impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens. É dever do Ministério da Educação implementar aulas de conhecimento virtual, por meio da introdução dessa disciplina nas escolas — em complemento à Informática —, a fim de instruir o uso dessas tecnologias comunicativas, para que esses alunos não se tornem massa de manobra da mídia, de interesses políticos e de padrões de consumo. Dessa forma, eles serão capacitados para filtrar as informações as quais estão expostos. Então, finalmente, será possível evitar que a realidade de “O Dilema das Redes” se perpetue na sociedade brasileira.