O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 15/01/2021

O documentário americano “O dilema das redes” aborda uma análise do impacto das redes sociais à sociedade, enquanto mecanismo de influência em massa, sem haver a consciência coletiva do perigo dessa ferramenta. Paralelamente, no Brasil, os influenciadores digitais -ou influencers- têm cada vez mais destaque para o investimento de propaganda das empresas, ao apresentarem a publicidade como dicas e, embora aparentem ser sugestões ingênuas, elas conseguem estimular intensamente o consumismo de seus seguidores. Ademais, hodiernamente, os jovens idealizam vidas perfeitas, por se basearem em recortes do cotidiano de outros.

Vale ressaltar, a princípio, que os influenciadores contribuem para a formação de opinião de milhões de jovens brasileiros, sem que exista uma preparação sobre responsabilidade de informação. Nesse sentido, muitas empresas aproveitam dessa problemática e o alcance dos influencers para promoverem suas mercadorias,  ação que vai de acordo o Fetichismo da Mercadoria, conceito proposto pelo sociólogo Karl Marx, o qual afirma que um objeto, quando está à venda, obtém um valor simbólico, além do valor de uso, para que seja cobiçado ao nível de algo essencial. Logo, é fundamental que tanto os influenciadores digitais, quanto os seguidores estejam cientes do poder da mídia social, para evitar que sejam alienados.

Outrossim, os influencers projetam um recorte da própria rotina e apresentam, em suas redes sociais, como a íntegra de suas vidas e conseguem, consequentemente, selecionar qual a faceta o seu público irá conhecer. Sob esse viés, há a adversidade de constante comparação, a qual alimenta a condição de um jovem permanecer acompanhando a rotina de uma figura pública, mesmo na ausência de um conteúdo que tenha propósito. Assim, o sociólogo contemporâneo Zygmunt Bauman discorre sobre a ideia de Liberdade ilusória, a qual afirma que a globalização abre portas para a manipulação e remete a sensação de que há uma escolha, quando na verdade apenas há uma imposição idealizada. Portanto, é necessário que os influenciadores tenham impactos positivos para os jovens.

Destarte, faz-se necessário que o Estado contribua para positivar as contribuições dos influenciadores digitais no Brasil, por meio de “lives”, nas redes sociais mais engajadas (Instagram, YouTube e Facebook), sobre a reponsabilidade de ser uma figura pública ao explicitar aos usuários as circunstâncias que antecedem uma publicidade e os possíveis problemas que a omissão dessa informação pode causar, a fim de atenuar a manipulação dos jovens. Desse modo, o dilema das redes sociais terá, majoritariamente, um caminho promissor: o impacto positivo na formação dos jovens.