O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 04/04/2021

Na série “Black Mirror”, da plataforma de streaming Netflix, é retratada, por meio de chocantes episódios, uma vida na qual a tecnologia reina o mundo e transforma o estilo de vida das pessoas. Nesse sentido, a narrativa revela o domínio dos meios de comunicação – principalmente das redes sociais – perante os indivíduos, que passam a ser totalmente alienados ante às questões da sociedade. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada na série pode ser relacionada àquela do século XXI: a influência superficial dos influenciadores digitais e seu impacto na vida das pessoas.

Em primeiro lugar, é importante destacar que a influência superficial trazida pelos digital influencers é uma causa latente do problema. Nessa linha de pensamento, verifica-se que essas pessoas com o poder de influenciar outros indivíduos, usam desse privilégio para propósitos banais, como vender roupas ou distribuir dicas de maquiagem. Dessa forma, ao invés de estarem abordando importantíssimas questões sociais e ambientais, objetivando, assim, o compartilhamento de ideias e formadores de opinião - como a influenciadora Ana Clara Moniz, que aborda indagações sobre acessibilidade para pessoas com deficiência -, enchem seus próprios bolsos.

Além disso, outra causa para a configuração do problema é o impacto que os influenciadores têm na sociedade. No episódio “Liquidação Maluca dos 10 minutos” da série “Os feiticeiros de Waverly Place”, por exemplo, percebe-se a influência do que uma loja com liquidação, compartilhada por uma blogueira nas redes sociais, pode fazer no comportamento social, já que no episódio em questão, segue-se com uma multidão lutando para comprar determinadas roupas com preços baixos, antes que os dez minutos acabem. Paralelamente, entende-se que é esse o impacto que os influenciadores têm no mercado e na sociedade: o controle do estilo de vida e decisões de compra dos outros indivíduos.

Portanto, uma intervenção faz-se necessária. Para isso, é preciso que o Governo realize uma parceria com a prefeitura das cidades para a criação de um projeto de conscientização dos cidadãos, ensinando-os a terem como digital influencers apenas pessoas que abordem questões úteis para a sociedade e que busquem fazer o bem. Tais ensinamentos devem ser realizados, por meio de palestras em locais públicos, no período do contraturno, e abertos à comunidade, para que, assim, mais pessoas compreendam o impacto negativo dos influenciadores digitais e se tornem cidadãos atuantes na busca de resoluções. A partir dessas informações, poderá se consolidar um Brasil melhor.