O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 06/04/2021

No episódio “Queda livre”, da série britânica “Black Mirror”, é apresentado uma distopia em que os valores sociais são influenciados pela internet. Analogamente, nota-se, na atualidade, que personalidades populares nos meios digitais exercem cada vez mais relevância nos valores modernos, sobretudo na formação de crianças e adolescentes. Conquanto, observa-se que tal influência muitas vezes resulta em efeitos deletérios no desenvolvimento dos jovens, sobretudo a constante glamourização de padrões consumistas e materialistas nas redes sociais.

Primeiramente, deve-se ter conhecimento que, como afirma Steve Jobs, “a tecnologia move o mundo”, logo, todos nós estamos sujeitos a sofrer influência, seja ela da tv, das revistas ou dos próprios influenciadores digitais. Com o mercado digital em ascensão, as redes sociais deixaram de ser um ambiente agradável, de compartilhamento pessoal, e se tornaram uma rede de marketing, de disputa por seguidores, com conteúdos exibicionistas e uma vida perfeita inexistente. Neste sentido, muitos jovens se sentem atraídos por essa imagem irreal e almejam aquele sucesso e o corpo perfeito. Assim, estas pessoas acabam tendo a saúde mental fragilizada por querer uma coisa que é, em sua maioria, inalcançável.

Ademais, deve-se destacar que figuras influentes na internet frequentemente romantizam atitudes consumistas entre os jovens. Isso acontece devido ao marketing digital realizado por influenciadores, que com frequência associam, de maneira inconsequente, marcas e produtos a um viés de satisfação pessoal, idealizando, assim, o consumismo nessa faixa etária. Essa idealização corresponde a ideia de “fetichismo” da mercadoria, descrita pelo filósofo Karl Marx, “os objetos são reificados para aumentar o consumo”. Dessa forma, os jovens são incentivados a consumirem, uma vez que assim esperam, erroneamente, atingirem a felicidade.

Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para resolver essa problemática. É fundamental que a família instrua suas crianças e adolescentes sobre os malefícios do uso acrítico das mídias sociais, mediante conversas ou até vídeos instrutivos, tornando-os menos suscetíveis à influência dos meios virtuais. No contexto educacional, as escolas devem auxiliar na formação de cidadãos com capacidade crítica, por meio da discussão nas salas de aula, dos conceitos de consumismo, persuasão, entre outros. Desse modo, será possível mitigar os impactos negativos dos influenciadores digitais na formação dos jovens.