O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 06/04/2021

O advento do meio técnico-científico representou um insigne avanço em relação ao dispositivo comunicacional das mídias sociais, o qual possibilitou a popularização dos influenciadores digitais com ampla abrangência mundial, principalmente entre o público infanto-juvenil. Apesar de os entusiastas retratarem apenas mais uma forma de entretenimento, tal fator destoa da realidade à medida que se verifica tanto a presença de um forte sistema de corrupção de menores, quanto ao impacto na prevalência de uma sociedade intolerante e opressora.

Em uma primeira análise, deve-se salientar que os influenciadores são cada vez mais significantes fontes de referência para os jovens, público cuja capacidade cognitiva está em formação. Deste modo, os famosos constantemente instigam seus seguidores a adquirir determinados produtos sem lhes fornecer os devidos amparos e avisos a respeito da aquisição das mercadorias, o que pontua graves casos de corrupção infantil. De maneira análoga, vale destacar um caso brasileiro, no qual Felipe Neto – youtuber e influenciador digital – ofereceu uma promoção aos seus fãs que se revelou um verdadeiro golpe a fim de extorquir o dinheiro das crianças devido à utilização de um discurso manipulador e informações exíguas sobre o pagamento. Assim, presencia-se um forte poder de influência dessas entidades digitais no comportamento da coletividade cibernética.

Em uma segunda análise, vale citar que a abordagem de determinados influenciadores corrobora a perpetuação de práticas discriminatórias na sociedade e, por conseguinte, a popularização do discurso de ódio. Conforme explicitado pelo levantamento feito pela Organização Não Governamental SaferNet em 2018, houve um crescimento de 55% no número de denúncias de discursos de ódio ou intolerância na internet nos últimos dois anos. Tal alarmante dado expõe a imensurável quantidade de comentários odiosos disseminados cotidianamente, na maioria das vezes, pelos “influencers”. Dessa maneira, é possível inteligir que sem a monitoração dos pais, os influenciadores digitais promoverão narrativas que suscitarão em mentalidades propícias ao discurso opressor.

Destarte, torna-se imprescindível a adoção de medidas a fim de solidificar políticas que visem o combate dos formadores de opinião como ferramenta de corrupção e intolerância. Assim, o Ministério dos Direitos Humanos e o Ministério da Educação, devem, por meio de verbas públicas, intervir na realização de campanhas midiático-digitais, com o intuito de formar os jovens e informar os cidadãos quanto aos legítimos impactos de tais influenciadores, bem como promover debates, em meios essencialmente escolares, acerca da temática. Dessa forma, espera-se frear a presença do impacto negativo dos influenciadores digitais na formação dos jovens.