O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 07/05/2021
O filósofo grego Sócrates, no fim de sua vida, foi acusado de persuadir negativamente o pensamento dos imberbes de sua época. Nesse sentido, na contemporaneidade não mais os filósofos interferem na formação dos jovens, mas sim os influenciadores digitais. Sendo assim, diante dos impactos dessa nova configuração da era moderna, é preciso analisar a ausência de senso crítico na juvetude e o danoso vício nas telas, tendo em vista causas, consequências e possíveis soluções.
Em primeira instância, é válido citar que a falta de senso crítico no jovem o deixa vulnerável às interferências do mundo digital no seu desenvolvimento. Nesse contexto, segundo o filósofo Immanuel Kant, a ideia de esclarecimento é a saída do homem de um estado de mediocridade e comodismo. Dessa forma, o filósofo destaca ainda a incapacidade juvenil de efetivar essa mudança e, com isso, forjar um senso crítico próprio. A exemplo disso, destacam-se os influencers nas redes, que usam do seu alcance de milhões de seguidores para a propaganda em larga escala, incentivando o consumo desmedido de produtos e opiniões alheias, tornando os juvenis uma massa de manobra, como propôs a teoria do sociólogo Pierre Bourdieu.
Em segunda instância, vale támbem ressaltar a contribuição dos influenciadores para o vício nas telas. A Universidade Estadual de São Francisco, na Califórnia (EUA), comprovou, por meio de estudos, que o vício em smartphones forma conexões neurológicas parecidas com as de viciados em opiáceos. Com isso, percebe-se a gravidade da problemática. Ademais, uma pesquisa brasileira do Diário de Campo Pesquisa, constatou que 43% dos entrevistados são viciados em acompanhar criadores de conteúdo, destacando três principais motivos: a entrega contínua de novas informações que os satisfaçam, o suposto poder de escolha de quando e como ver o conteúdo e a ilusão de que a presença constante do influeciador é solução para a solidão. Assim, o contato constante com essas pessoas é um agravante para a dependência.
Cabe, portanto, ao Ministério da Educação, em parceria com os muicípios, realizar atividades nas escolas com o objetivo de evidenciar a importância da busca independente de fatos e informações, promovendo nos jovens o surgimento de opiniões e gostos próprios, fugindo do comodismo proporcionado pelos influencers. Compete, ainda, ao Ministério da Saúde, em conjunto com as redes sociais, efetivar campanha informativa sobre os males causados pelo crescente vício nas telas, a fim de sensibilizar positivamente os influentes. Por fim, o cumprimento dessas medidas possibilitaria uma boa formação dos imberbes na atualidade.