O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 26/07/2021
Em “Abaporu”, pintura da artista plástica brasileira Tarsila do Amaral, o homem é representado com braços e pernas em dimensões exageradas em relação à cabeça. Tal obra, pertencente ao modernismo brasileiro, simboliza a desvalorização do pensamento crítico na sociedade contemporânea, em detrimento do trabalho braçal e do culto ao corpo. Para além do quadro, a inserção dos influenciadores digitais no cotidiano dos brasileiros vem fomentando diversas mudanças no meio sociocultural, e impactando, principalmente, a formação dos jovens, tornando a crítica realizada em “Abaporu” cada vez mais atual. É necessário, pois, entender as raízes desta problemática e suas reverberações na sociedade.
Primeiramente, faz-se necessário pontuar a formação histórico-social do Brasil e sua relação direta com a formação crítica dos jovens na contemporaneidade. De acordo com Caio Prado Jr., historiador brasileiro, há, desde a chegada dos portugueses no Brasil, a manutenção de um comportamento colonial. Esse problema acontece, pois há uma dependência, desde o Brasil colônia, de estímulos externos à nação, fazendo com que o cenário brasileiro seja dependente das tendências externas. Assim, no contexto da era digital, a partir destes vícios de pensamentos perpetuados na cultura brasileira e transmitidos dentre as gerações, a maioria dos jovens não desenvolve sua autonomia crítica, submetendo-se, integralmente, às opiniões, aos costumes e aos pensamentos destes influenciadores.
Além disso, vale salientar que a propagação irrestrita de padrões estéticos pelos influenciadores afeta, negativamente, o desenvolvimento psicossocial dos jovens brasileiros. Isso porque, a partir da reprodução de um padrão de beleza (muitas vezes inalcançável) entre os influenciadores digitais, há a perpetuação e a manutenção da ideia de que apenas os indivíduos que possuem um corpo padrão serão integralmente aceitos pela sociedade. Assim, cada vez mais jovens brasileiros - principalmente a parcela feminina – sofre com a pressão imposta desde a infância, ocasionando a formação de jovens adultos com problemas psicológicos e sociais. Prova disso está na pesquisa realizada pela multinacional britânica de bens de consumo Unilever, a qual afirma que, nos últimos anos, apenas 96% da população feminina sente alguma insegurança em relação ao corpo.
É necessário, portanto, que medidas sejam tomadas para amenizar os impactos negativos da ascensão dos influenciadores digitais no cotidiano da juventude brasileira. Para isso, o Ministério da Educação, em parceria com escolas de todo o Brasil, deve organizar rodas de debate destinadas às crianças, visando incentivar o pensamento crítico desde a infância, a fim de estimular a individualidade e a equidade entre elas. Conjuntamente, os pais e responsáveis também devem ser orientados pelos mesmos órgãos, por meio de palestras e reuniões, sobre como devem agir de maneira a incentivar a formação da individualidade das crianças no ambiente familiar. Dessa forma, portanto, será possível diminuir, progressivamente, as implicações negativas dos influenciadores digitais na formação da juventude brasileira.