O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 24/05/2021
O “Mito da caverna”, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Em alusão à citação, percebe-se que a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito ao impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens, visto que as crianças e adolescentes são alvos fáceis de manipulação de crença e comportamento. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação que possui como causas: a falta de conhecimento e a lenta mudança na mentalidade social.
Primeiramente, é preciso salientar que a falta de conhecimento é uma causa latente do problema. Nesse contexto, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Diante dessa perspectiva, se os pais não tem acesso às informações necessárias sobre os perigos do uso descontrolado das redes sociais pelas crianças e adolescentes, sua visão será limitada. Desse modo, para que o uso indiscriminado de redes sociais seja combatido, é necessário que haja discussão nas escolas sobre as consequências físicas, psicológicas e comportamentais que podem atingir os jovens através da influência dos famosos da internet. Assim, trazer à pauta esse tema e debatê-lo amplamente aumentaria a chance de atuação nele.
Em segundo plano, outra causa para a configuração do problema é a lenta mudança na mentalidade social. Segundo Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que a questão do impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que há uma ideia equivocada, por parte dos pais, de que é obrigação da escola educar e orientar os filhos para a vida. Dessa maneira, nota-se que os cuidados com a educação das crianças e dos adolescentes e o acompanhamento do acesso deles nas redes sociais são negligenciados pelos pais, o que torna sua resolução ainda mais complexa.
Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Como solução, é preciso que as escolas, em parcerias com a prefeitura, promovam um espaço para rodas de conversa e debates sobre os riscos do uso indiscriminado das redes sociais para a formação dos jovens, bem como orientem a utilização responsável da internet no ambiente escolar. Tais eventos podem ocorrer no período extraclasse, contando com a presença dos professores e dos profissionais da área de sáude. Ademais, esses acontecimentos não devem se limitar aos pais dos alunos e aos estudantes, mas serem abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam questões relativas a esse panorama preocupante e se tornem cidadãos mais atuantes na busca de resoluções.