O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 22/05/2021

Desde o período da Guerra Fria, na segunda metade do século XX, com o aprimoramento e a popularização dos meios de comunicação, novas atividades atreladas ao uso de equipamentos eletroeletrônicos têm se desenvolvido no mundo. Nesse contexto de disseminação de produtos eletrônicos na sociedade hodierna, estão os influenciadores digitais, cuja atuação traz diversos impactos para formação de seu público que é, primordialmente, jovem. Tal cenário, apesar de importante para estimular a evolução social, suscita também preocupações quanto a problemas psicossomáticos entre crianças e adolescentes.

Em primeiro lugar, é válido analisar a atuação responsável de muitos influenciadores digitais. Segundo o sociólogo Émile Durkheim, o homem e várias de suas ações são influenciados pela sociedade que o cerca. Nesse sentido, o papel de influenciadores pode ser de grande importância para a construção do indíviduo, sendo possível influenciar desde o hábito da leitura, como já fazem os “booktubers” -pessoas que utilizam sua plataforma online para falar sobre livros-, até instigar discussões acerca de questões sociais e pautas da política mundial.

Entretanto, quando o trabalho dos “influencers” não é tratado com a seriedade que cabe a ele, é possível que tal atividade corrobore ao desenvolvimento de problemas psicossomáticos. Após a Crise de 1929, com a quebra da Bolsa de Nova York, teve início a Grande Depressão, período de grande incidência de diagnósticos de doenças mentais, causado, principalmente, porque seria ainda mais difícil manter o “American Way of Life”, o alto e quase inalcançável padrão de vida do estadunidense perfeito. De maneira análoga, os influenciadores digitais criam um parâmetro próprio das redes sociais, através de publicações regadas de bens almejados pelos jovens, mas que não fazem parte da realidade de muitos deles. Ao se depararem com esse cenário frustrante, a possibilidade de apresentar transtornos psíquicos e comportamentais é ainda maior, como reação a um quadro real de dificuldades que não condiz com o que é veículado pelas celebridades da internet.

Observa-se, portanto, a necessidade de medidas que mitiguem os impactos negativos dessa prática. Cabe às empresas que administram as redes sociais, em consonância às agências de marketing digital, promover discussões entre os influenciadores sobre a importância do seu papel para a formação de jovens cidadãos, a fim de que absorvam a responsabilidade de seus comportamentos, por meio da realização de palestras periódicas e rodas de conversação -debatendo também sobre formas de abordar temas essenciais quanto a prevenção e tratamento de transtornos psicológicos em suas plataformas-.