O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 09/06/2021
A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê o direito à liberdade de expressão como inerente a todos os cidadãos brasileiros. Porém, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática ao se observar o impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens. Dessa forma, faz-se imperiosa a análise dos fatores que contribuem para o caso, como a desigualdade social e a influência midiática.
Em primeira análise, é oportuno pontuar que a ausência de medidas governamentais possui íntima relação com a desigualdade social. Nesse sentido, é visto que os jovens advindos de camadas mais pobres da sociedade têm como projeto de vida, muita das vezes, gravar vídeos para a internet e se tornarem influenciadores, pelo desejo de uma vida perfeita, idealizada nas redes por meio das publicações feitas pelos influenciadores. Entretanto, os cidadãos menos favorecidos enfrentam diversos impasses, como a carência dos aparatos tecnológicos adequados para a gravação dos stories – recurso utilizado para a criação de vídeos e imagens presentes nas redes sociais, principalmente no Instagram –. Essa conjuntura, segundo as ideias do filosofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação ao “contrato social”, uma vez que o Estado não garante aos cidadãos o gozo de direitos considerados indispensáveis na era da informação, como o acesso à internet. Logo, é substancial a mudança desse quadro.
Outrossim, é fundamental citar a influência midiática como impulsionadora do problema no Brasil. Segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, aquilo que foi criado como instrumento de democracia direta não deve ser convertido em mecanismo de opressão simbólica. Entretanto, a sociedade atual contraria o pensamento do autor, uma vez que os influenciadores digitais tem papel crucial na formação de opinião e na indução dos indivíduos a seguirem um padrão de vida, levando as pessoas que não se adequam ao padrão, à exclusão e a problemas de saúde, como a depressão, doença mental que pode orientar ao suicídio, motivado pela destilação do ódio, que extrapolam os limites da liberdade de expressão.
Portanto, em virtude dos fatos mencionados, faz-se necessário que o Governo – órgão responsável por gerir e organizar a sociedade –, democratize, por meio de políticas sociais, o acesso à internet para a população e por meio de campanhas de conscientização, elabore palestras direcionadas ao público juvenil acerca dos riscos causados pela influência da mídia, para que eles se aceitem como são e não busquem seguir os padrões estabelecidos pela sociedade. Fazendo isso, o Estado estará cumprindo seu “contrato social”, tal como afirma John Locke.