O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 16/06/2021
No episódio “Queda livre”, da série britânica “Black Mirror”, é apresentado uma distopia em que os valores sociais são influenciados pela internet. Analogamente, nota-se, na atualidade, que personalidades populares nos meios digitais exercem cada vez mais relevância nos valores modernos, sobretudo na formação de crianças e adolescentes. Contudo, observa-se que tal influência muitas vezes resulta em efeitos deletérios no desenvolvimento dos jovens, mormente a constante glamourização de padrões consumistas e materialistas nas redes socias.
Em primeira análise, cabe destacar que figuras influentes na internet frequentemente romantizam atitudes consumistas entre os jovens. Isso acontece devido ao marketing digital realizado pelos influenciadores, que usualmente associam, de maneira inconsequente, marcas e produtos a um viés de satisfação pessoal, idealizando, assim, o consumismo nessa faixa etária. Essa idealização corresponde a ideia de “fetichismo” da mercadoria, descrita pelo filósofo Karl Marx, em que os objetos são reificados para aumentar o consumo. Dessa forma, os jovens são incentivados a consumirem, uma vez que assim esperam, erroneamente, atingirem a felicidade.
Adicionalmente, observa-se, ainda, uma valorização excessiva aos bens materiais por grande parte dos “influencers”. Nessa perspectiva, segundo o filósofo francês Jean Baudrillard, a sociedade moderna é caracterizada por embutir, em objetos e mercadorias, a simbologia do bem-estar. Isso é notório na glamourização recorrente de produtos e serviços por pessoas públicas na internet, perpetrando, assim, a noção do materialismo como símbolo de realização social. Desse modo, em decorrência dessa valorização inadvertida de bens materiais, cria-se nos jovens a ideia falaciosa de que o “ter” é mais importante que o “ser”.
Portanto, com vistas a mitigar os impactos negativos dos influenciadores digitais na formação dos jovens, é necessário que Ministério da Educação, em parceria com escolas de rede pública e privada, instrua crianças e adolescentes sobre os malefícios do uso acrítico das mídias sociais. Isso pode ser feito por meio de debates – a serem ministrados por psicólogos e professores – com enfoque específico nas formas de persuasão exercidas por figuras populares na internet, a fim de torna-los mais críticos nos espaços cibernéticos. Desse modo, os jovens serão menos suscetíveis à influência dos meios virtuais, diferindo, assim, do enredo distópico de “Black Mirror”.