O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 23/06/2021
A Primavera Árabe, ocorrida no Oriente Médio na década de 2010, foi um movimento revolucionário disseminado por meio das redes sociais. Contudo, no Brasil, embora ainda não tenha modificado uma sociedade, a comunicação digital alastrada por meio de influenciadores é de forte impacto no conceito de moralidade da ‘geração Z’, assim como no estilo de vida. Urge, portanto, a necessidade de analisar tal realidade de modo a identificar e combater seus impactos na formação dos jovens brasileiros.
Em primeira análise, cabe pontuar como os influenciadores digitais impactam o conceito de moral e justiça da juventude atual. O livro ‘Justiça: o que é fazer a coisa certa’ do escritor Michael Sandel, disserta sobre como agir corretamente, munindo o leitor de diferentes conceitos filosóficos e deixando a decisão individual aberta. Contudo, atualmente, a filosofia e a liberdade de escolha vêm perdendo espaço para a comunicação digital, uma vez que a forte persuassão de ‘influencers’ dita, por meio de um falso afeto, qual o melhor viés ideológico e moral, defendendo o interesse pessoal ou de empresas. Conseguinte dessa afirmação, os jovens são os maiores afetados, uma vez que a ‘geração Z’, segundo a empresa Comscore, é a maior consumidora de redes sociais, ou seja, os comunicadores conquistam essas pessoas para venderem uma ideia, impactando na formação dessas como cidadãs, sendo que deixam de pensar por conta própria.
De outra parte, convém destacar como o estilo de vida dos jovens é moldado pelos influenciadores. É possível afirmar tal fato porque ainda como consequência da moralidade imposta, o cidadão se moldará em torno do seu viés ideológico, esse que foi afetado anteriormente. Sendo assim, da mesma forma que Nietzsche faz uma crítica à Sócrates e Platão, que supostamente impuseram o próprio entendimento de mundo influenciando nosso conhecimento e forma de viver até hoje, as pessoas, sobretudo os jovens, começam a viver baseadas em uma verdade vendida por outro indivíduo. Dessa forma, é retomado o conceito de niilismo negativo do filósofo Nietzsche, uma vez que os jovens negam o hoje em função do paraíso, ou seja, em função do suposto politicamente correto.
Por fim, medidas são necessárias para resolver o impasse. Cabe ao Ministério da Comunicação, em parceria com o Ministério da Educação, fazer propagandas e cartilhas a fim de propagar o uso correto das redes sociais, assim como evitar o comprometimento do pensamento próprio. Tal atitude se dará com propagandas educacionais nas próprias redes sociais e nos veículos de imprensa, além de palestras nas escolas, ministradas por estudantes de psicologia das universidades públicas, ensinando a importância de filtrar informações. Dessa forma, o jovem conseguirá selecionar as informações de modo que não afetem na sua formação como cidadão e no seu modo de vida.