O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 05/07/2021
Lima Barreto, em seu livro “Os Bruzundangas”, criticou vários aspectos do Brasil da primeira metade do século XX, mormente no que tangias às mazelas sociais. No entanto, apesar do tempo decorrido desde a publicação da obra, ainda hoje se faz necessário apontar e discutir inúmeros problemas que subsistem no país, destacando-se, por certo, a problemática da irresponsabilidade dos influenciadores digitais na formação dos jovens, a qual ocorre, infelizmente, em razão da negligência governamental e da sociedade.
Em primeira instância, nota-se que a Constituição Cidadã de 1988 assegura a todo brasileiro o direito à dignidade da pessoa humana. Entretanto, esse direito não é efetivado. Isso é explicitado na medida em que diversos influenciadores mal intencionados utilizam do seu poder de impacto para disseminar ideologias negativas, tais como racismo e a supremacia masculina, ajudando a moldar a juventude que se espelha em falsos ídolos. Nessa sentido, cabe lembrar das ideias do filósofo John Locke, o qual dizia que o indivíduo, por ter sua relação com o Estado baseada na confiança mútua, pode, sempre que essa confiança for rompida - Como no desrespeito suprecitado à Carta Magna -, rebelar-se e reivindicar seus direitos. Dessarte, é dever do cidadão exigir o cumprimento da lei maior.
Outrossim, a própria sociedade é responsável pela manutenção do problema. Tristemente, diversas empresas patrocinam influencers que propagam produtos de procedência irregular ou criminal, e por terem um peso na decisão do consumidor, inspiram-no a colaborar financiando empresas que necessitaram passar por um filtro de princípios ou ações judiciais. Contudo, segundo o pedagogo Célestin Freinnet, é possível superar qualquer pensamento errôneo já estabelecido em uma sociedade, bastando, para isso, o desejo de mudança dos agentes sociais. Portanto, uma mudança nos valores do corpo social é fundamental para mitigar o mal uso do poder persuasivo na influência digital de jovens.
Diante dos fatos citados, é fulcral que o Estado, por meio de uma parceria entre o Ministério da Educação e o Ministério das Comunicações com figuras públicas, crie um projeto a ser desenvolvido nas escolas e em canais de influencers, o qual promova palestras e atividades lúdicas a respeito dos direitos constitucionais da dignidade da pessoa humana, bem como estabeleça um método de monitoramento em relação à propagação de ideologias ofensivas, punindo seus praticantes. Porquanto que ações culturais coletivas têm imenso poder transformador, espera-se que a comunidade em geral, conscientize-se. Se assim for feito, o Brasil estará um passo mais próximo de deixar de ser o país que Lima Barreto criticava, para tornar-se uma nação desenvolvida de fato.