O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 12/07/2021
Instagram, YouTube, Facebook, Twitter, SnapChat e mais. São muitas as plataformas que possibilitam que pessoas comuns ganhem fama através de postagens constantes, como vídeos e fotos. Esses indivíduos passam a exercer influência sobre certo grupo, o de seus seguidores, ganhando a alcunha de ‘influenciadores digitais’. Devido às plataformas serem gratuitas, o público é diverso e conta com inclusive crianças e adolescentes, apesar da restrição de idade que os sites impõem. Nesse sentido, tais celebridades exercem papel relevante na formação de jovens que os acompanham. Isso é um problema, uma vez que traz consequências ruins, como a reprodução de comportamentos negativos e a inserção infantil em práticas consumistas.
Em primeiro plano, é importante analisar a relação entre as atitudes dos influenciadores e a cópia de ações e pensamentos, algo comum para os menores de idade. Haja vista a ideia proposta pela pesquisadora do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) Pia Britto - de que o cérebro de crianças funciona de maneira análoga a uma esponja, absorvendo as coisas ao seu redor -, percebe-se que, ao assistirem a gravações dos mais velhos, elas tendem a repetir o que lhes foi mostrado. Sendo assim, o modo de agir dos chamados “influencers” pode causar um certo envelhecimento precoce em sua audiência mais nova, pois eles nem sempre portam-se de maneira adequada à companhia juvenil.
Ademais, o grande alcance proporcionado pelas redes sociais gera parcerias entre empresas e famosos, visando a um aumento dos índices de consumo de determinados produtos. O recebimento de mercadorias para exposição aos espectadores induz o desejo por tais peças. Nesse sentido, cabe o termo “Sociedade de Consumo”, proposto pelo sociólogo Zygmunt Bauman, que define o elo de dependência entre compras e felicidade - aquisições são feitas para suprir vontades impulsivas motivadas por necessidades irreais, provocando prazer no consumidor. Ao potencializar o envolvimento de jovens em tal realidade, os influenciadores contribuem para um desenvolvimento insaudável pautado pelo “ter” e não pelo “ser” em garotos e garotas.
Logo, torna-se evidente que para solucionar esse entrave, são imprescindíveis medidas de contenção ao impacto da exposição dos mais imaturos aos seres influentes das redes sociais. Dessa forma, o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, deve promover aulas gratuitas, aos sábados e realizadas via Internet, sobre responsabilidade digital, em que, por meio de palestras com professores de sociologia e de psicólogos, seja possível atingir o maior número de influênciadores possíveis, objetivando ensinar cuidados que se devem ter quanto ao público infantil. Assim, será possível que a fama e que as plataformas tragam apenas resultados bons.