O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 15/07/2021
Segundo o filósofo prussiano Immanuel Kant, as decisões pessoais são tomadas pelo intelecto e influência de outro. Sob essa ótica, é perceptível como a ideia de “menoridade”, apontada por Kant para caracterizar a sociedade, se manifesta na contemporaneidade, uma vez que os influenciadores digitais utilizam o poder da persuasão e o investimento das empresas em seus posts para direcionarem os jovens brasileiros a um hábito de consumo supérfluo. Outrossim, alguns “influencers” expõem nas suas redes sociais comportamentos racistas e irresponsáveis, os quais instigam seus seguidores a reproduzirem tais mediocridades.
Sob esse viés, é relevante abordar que com o advento da Terceira Revolução Industrial, sem dúvidas, os meios digitais tornaram-se fontes para os estabelecimentos comerciais melhor alcançarem os consumidores. Prova disso, pesquisa divulgada pelo Instagram expõe que em 2020 mais de 30 milhões de posts da plataforma eram propagandas de influenciadores patrocinados pelas marcas. Nesse ínterim, a exposição, por meio de blogueiros, de produtos concedidos pelas empresas é a maneira subconsciente e apelativa que o mercado encontrou para moldar os pensamentos, comportamentos e ações das pessoas sem que elas tenham consciência disso, as direcionando a um falso ideal de vida perfeita. Logo, é irrefutável que o Estado deve investir em uma educação para a criticidade, a fim de evitar a formação de jovens acríticos e condizentes com a perversidade do marketing de influência.
Ademais, vale ressaltar que determinadas práticas expostas por alguns “influencers”, infelizmente, impactam de maneira negativa na formação dos seus seguidores jovens, visto que estes veem aqueles como exemplo a ser seguido. Nesse sentido, atitudes como a da influenciadora Gabriela Pugliesi, ao promover uma festa em plena pandemia, e a do youtuber Júlio Cocielo, ao fazer um comentário racista sobre o jogador francês Mbappé reforçam a reprodução de condutas inadequadas e repudiantes na sociedade, contribuindo assim na formação de jovens com atos imorais. Assim sendo, é imprescindível que o Estado aja em consonância com a Carta Magna, sobretudo, acerca do discernimento de qual influente seguir, por conseguinte, esses modos nefastos serão coibidos.
Dessa forma, fica clara a necessidade de um plano de ação intersetorial que atenue os impactos dos influenciadores digitais na formação dos jovens brasileiros. Portanto, o Ministério da Educação deve promover maiores investimentos na formação dos jovens, por meio de campanhas socioeducativas, as quais difundirão aos discentes a importância de usar as redes sociais - como o Facebook, Instagram e Youtube - criticamente, a fim de formar adolescentes prevenidos do bombardeamento digital, o qual expõe o consumo exacerbado e práticas racistas nada exemplares.