O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 22/07/2021

Durante a Guerra Fria, numa tentativa de dominação mundial, a mídia americana destacou-se como, para além de entretenimento, ferramenta de propaganda do capitalismo em si, o que foi nomeado como venda do “American Way Of Life” e intensificou-se com a queda da URSS. Em consonância, com o crescimento da internet enquanto principal meio publicitário, atualmente, há, também, forte disseminação de valores e ideologias com amparo midiático. É nesse contexto que cresce o ramo dos influenciadores digitais que, como novo meio de manobra de massas, corrobora para a formação de ideiais e propósitos nas gerações mais jovens. Esse fenômeno, com o tempo, tende a trazer grandes problemáticas ao exercício democrático e, não obstante, ao meio ambiente.

Em primeiro plano, é importante ressaltar o impacto social e político advindo da influência digital sobre os jovens. Segundo o documentário “O Dilema das Redes”, o usuário comum das redes sociais é, na realidade, o produto vendido por tais empresas para outras corporações e personalidades interessadas em promover o seu produto ou sua imagem. Ainda perante a obra, há fortes evidências da influência das redes nos resultados de eleições ao redor do mundo na última década e é a partir de, principalmente, influenciadores digitais que se dá tal processo. Semelhantemente, em meados do século XX, a televisão e o rádio foram apontados por Adorno como, tal qual as redes sociais, métodos de manobra de massa, o que teria como efeito a alienação da classe trabalhadora. Desse modo, portanto, é possível apontar tal alienação como grande consequência da influência digital.

Ademais, destaca-se, também, as consequências ambientais da formação de jovens no contexto discutido. Sendo os hábitos de consumo e produção humanos uns dos principais agentes de degradação ambiental, é evidente o caráter destrutivo da formação de cidadãos sob a ótica consumista. Com um mercado publicitário que ultrapassa um bilhão de dólares anualmente, apenas no Instagram, cada vez mais presente na vida das últimas gerações, é clara a fomentação de um padrão de consumo contrário aos hábitos de preservação urgentemente demandados.

Portanto, analisado tal cenário, é clara a necessidade da regulamentação da publicidade digital. Para tanto, no Brasil, o Poder Legislativo Federal deve elaborar um projeto que exige das redes socias presentes no país investimento em influenciadores digitais com conteúdo educativo e científico, a fim de combater a alienação dos jovens. Assim, a partir da maior circulação de informações educacionais, consequência, por si só,  engrandecedora e capaz de mudanças socias extremamente positivas, será possível proteger o meio ambiente e o exercício pleno da democracia a nível nacional.