O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 27/07/2021
A Constituição Federal de 1988 — documento situado no topo do ordenamento jurídico — garante em seu artigo 205 que a educação das crianças é dever do Estado e da família. Contudo, quando se observa o hodierno cenário brasileiro, percebe-se que essa estipulação não se encontra sendo completamente respeitada, tendo em vista que elas, tal como fantoches, estão submissas aos ensinamentos das redes sociais, tornado, por essa razão, o impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens uma das maiores preocupações sociológicas do século XXI. Dessa forma, viabilizando uma análise da imposição de comportamentos às crianças e da reconstrução do leque de melhores profissões do ponto de vista delas, como as principais ações do revés nos jovens.
Antes de mais nada, é lícito postular que a prescrição comportamental só fez-se possível devido a negligência parental e estatal. Sob essa lógica, Confucio, pensador chinês, pontua que não são as ervas más que afogam a boa semente, mas sim quem estava cuidando dela que o faz. Assim, torna-se indubitável que foi a falta de controle sobre a quantidade de horas, que uma criança poderia ficar na frente das telas e dos computadores, que concedeu a chance para os influenciadores ocuparem o papel de destaque na educação nacional e, através disso, inserir comportamentos bons e maus, como a criticidade e a obsessão pela aparência corporal perfeita, na sociedade juvenil, obstruindo, desse modo, o progresso saudável da nação e concretizando o argumento do intelectual.
Ademais, com a formação de novos ídolos sociais, os jovens que antes sonhavam em ser médicos ou advogados e, posteriormente, jogadores de futebol, devido à lucratividade, passaram a desejar, no lugar, o sucesso profissional no mundo dos “youtubers” e das “blogueiras”, sendo a maior razão por trás disso a enganadora facilidade que os influenciadores fazem parecer ser de se destacar e ganhar, assim, vários montantes de dinheiro com parceiras. Isto posto, o que se consegue não é a certeza de um bom futuro econômico, mas sim uma incerteza que provém da dependência de ser notado em um ambiente superlotado profissionalmente e que, por isso, apenas os melhores não acabam se tornando meros números para o algoritmo da plataforma, afinal, como dizia o naturalista Charles Darwin: apenas os mais capazes sobrevivem.
Destarte, visando a capacitar a todos, o Ministério da Educação (ME) deve reestabelecer a presença do Estado e da família na educação das crianças, por meio de uma planilha de recomendações para os pais, que, a fim de acabar com a inserção de maus comportamentos nos pequenos, estabeleçam um tempo limite de acesso à internet para eles. Outrossim, para findar de vez o revés, o ME deve ressaltar, também, os prós e contras das novas carreiras profissionais divulgadas pelos influenciadores digitais.