O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 15/09/2021
De acordo com o conceito de “Sociedade do Espetáculo”, do escritor francês Guy Debord, o mundo moderno caracteriza-se por uma realidade construída a partir do enaltecimento exacerbado da imagem pessoal. Nesse sentido, essa ideia é perceptível quando vislumbrada a atmosfera dos influenciadores digitais, visto que a aparência é um mecanismo usado por esse grupo para estimular a venda de produtos. Desse modo, dois elementos são cruciais para serem revistos nesse preocupante hábito: a participação das ferramentas midiáticas e a perpetuação de pensamentos rasos no corpo social hodierno.
Em primeira análise, é válido pontuar o papel da mídia no processo de construção comportamental das pessoas, já que essa ferramenta se encontra altamente difundida na sociedade moderna, possuindo, assim, um grande poder de influência. Segundo o filósofo da Escola de Frankfurt, Theodor Adorno, a “Indústria Cultural” é um importante instrumento de dominação utilizado pela classe alta para moldar os consumidores em conformidade com os interesses capitalistas. Nessa perspectiva, o “digital influencer”, por possuir grande capacidade de persuasão, atua como um agente que possibilita às marcas e às coorporações empresariais alcançarem um maior número de clientes na aquisição de produtos ou serviços presentes no mercado.
Outrossim, cabe destacar a propagação de ideologias superficiais nos meios de comunicação por parte dos influenciadores digitais, de modo que favorecem o consumismo excessivo e a permanência do estorvo na coletividade. Nesse contexto, o conceito de “Modernidade Líquida”, do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, descreve a fragilidade das relações humanas, em virtude dos sujeitos passarem a ser apreciados pelo que têm e não pelo que são. Sob este viés, em consonância com as ideias do autor, os indivíduos que trabalham com as redes sociais vendem um estilo de vida elitista e perfeito, marcado pelo status e pela fama. Em vista disso, o poder de compra dos cidadãos transformou-se em um parâmetro capitalista e o aspecto pessoal se tornou subvalorizado.
Verifica-se, portanto, a necessidade de medidas capazes de reverterem esse cenário atual. Para tanto, urge que as instituições escolares, em parceria com as famílias, promovam, por meio da participação de especialistas da área, palestras ou rodas de diálogo entre os alunos nos locais de ensino que objetivem desenvolver o senso crítico dos jovens. Ademais, faz-se preciso que a mídia desenvolva campanhas publicitárias propagadas nas redes de comunicação em massa, como Instagram, que alertem os internautas acerca do intenso processo de alienação característico desses ambientes. Destarte, será possível desconstruir a supervalorização à imagem discutida por Guy Debord.