O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 14/09/2021

A Constituição federal de 1988 - norma de maior hierarquia no sistema jurídico brasileiro - defende que a educação é dever do Estado e da família. Entretanto, essa premissa não é totalmente ratificada, uma vez que o impacto negativo dos influenciadores digitais na formação dos jovens se mostra evidente no Brasil. Esse nefasto cenário ocorre não só pelo poder da mídia, como também pela irresponsabilidade dos criadores de conteúdo. Logo, faz-se crucial uma imperiosa análise dessa conjuntura.

É importante ressaltar, a princípio, que o poder da mídia vai de encontro com a problemática. Em face disso, cabe trazer o conceito de “Indústria cultural”, de Adorno e Horkheimer, o qual afirma que os princípios transmitidos pelos meios de comunicações são produzidos com a intenção de lucro para o mercado. Nesse contexto, esse raciocínio se assemelha à realidade brasileira, dado que os influenciadores digitais, geralmente, por meio da publicidade, interferem negativamente na forma de consumo dos jovens, visando, na maioria das vezes, a lucratividade. Tal exposição a esse tipo de conteúdo, de certo modo, pode facilitar a prática do consumismo tanto no público infantil, quanto no público adulto, o que, por sua vez, impacta na qualidade de vida do indivíduo, em razão desse estar propenso ao endividamento. Assim, torna-se perceptível que a força da mídia é capaz de comprometer o desenvolvimento intelectual da juventude, e, consequentemente, o pleno exercício da cidadania.

Ademais, convém destacar que a ausência de responsabilidade dos influenciadores digitais colabora para este problema. Haja vista que, devido à falta de consciência de grande parte dos criadores de conteúdos, como “youtubers” e “tiktokers”, os jovens, muitas das vezes, são extremamente prejudicados, ao passo que estes divulgam em suas redes sociais uma idealização da “vida perfeita” para seus seguidores, a qual carece de conflitos e obstáculos. Tal panorama, de certa forma, pode modificar o comportamento e o modo de pensar da juventude, além de ser um fator determinante que prejudica a saúde mental dessa, fruto da pressão psicológica de transmitir a imagem de uma “vida ideal”, evidenciando, dessa maneira, o conceito denominado: positividade tóxica. Dessa forma, percebe-se que a irresponsabilidade dos “influencers” contribui para a construção de pessoas alienadas.

Portanto, medidas para reversão desta problemática são essenciais. Dessa modo, cabe ao Ministério da Educação, grande poder de transformação, orientar, desde das séries iniciais, os estudantes acerca dos malefícios da influência digital e sobre o uso responsável das redes sociais, em função de sua importância, por intermédio de palestras e debates com especialistas no assunto, a fim de diminuir os impactos nocivos dos influenciadores digitais na formação dos jovens no Brasil. Feito isso, será possível a construção de uma sociedade que desfrute dos elementos elencados na Magna Carta.