O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 01/10/2021
A obra cinematográfica “Ele é demais”, veiculada na Netflix, expõe o drama de Padgett, uma influenciadora digital adolescente, que tem sua vida constantemente afetada pela superexposição nas redes sociais. Não longe da ficção, a manipulação do comportamento dos jovens no meio digital é muito recorrente na sociedade brasileira atual, já que assim como no filme, tem seu contexto social afetado pelas redes. Diante dessa perspectiva, percebe-se a consolidação de um grave problema, em virtude da objetificação dos seres e da comparação excessiva com vidas irreais.
Em primeiro lugar, é importante destacar que a materialização de vidas, além de afetar os próprios influenciadores, prejudica também seus seguidores, que os têm como inspiração. Com isso, para estar na internet e influenciar milhões de pessoas a comprar determinados produtos e seguir certos comportamentos é preciso muito cuidado e discernimento, visto que as decisões tomadas irão refletir em ações futuras desses indivíduos, inclusive no momento em que pensarem em disseminar ódio. Conforme Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertida em mecanismo de opressão. Nessa perspectiva, pode-se observar que as mídias sociais, em vez de promover debates que elevem o nível de informação da população e incentivem a empatia, influenciam na consolidação do problema.
Além disso, outra dificuldade enfrentada é a questão da necessidade dos jovens de comparar-se com os sujeitos que seguem na internet, e que, muitas vezes, manipulam suas postagens, mostrando vidas e corpos perfeitos, que não existem. Dessa maneira, a busca pela perfeição inalcançável acaba acarretando doenças psicológicas graves, como ansiedade e depressão, as quais tem aumentado gradativamente em adolescentes. Conforme Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que a ação de tentar se parecer com as “blogueiras" é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que, se as pessoas crescem acostumadas com o contexto da superficialidade das redes sociais e dos padrões estabelecidos por elas, a tendência é adotar esse comportamento também, o que torna sua solução ainda mais complexa.
Portanto, para que isso ocorra, o Governo Federal, mediante o Ministério da Educação, deve desenvolver palestras em escolas, a serem webconferenciadas nas redes sociais desses órgãos, por meio de entrevistas com psicólogos e indivíduos que trabalham com a internet transparentemente. Objetivando, dessa forma, capacitar os jovens a desenvolverem senso crítico, procurando assim, sempre a verdade, sem expectativas sobre um padrão impossível de ser alcançado. Por fim, é preciso que a comunidade busque cada vez mais se livrar das amarras digitais e alcance a felicidade.