O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 03/11/2021

A série “Black Mirror”, da Netflix, é uma obra distópica que mostra os problemas da sociedade atual com as novas tecnologias. Na terceira temporada, é retratada a influência das redes sociais no comportamento humano. Analogamente, fora da ficção, os agentes dessa influência  —os influenciadores digitais — impactam na formação dos jovens brasileiros, pois fragilizam a autonomia intelectual dos mais novos. Nesse cenário, a educação negligente do país estimula esse controle midiático.

Convém ressaltar, a princípio, que a emancipação dos jovens é dificultada pela ação dos influenciadores digitais. De acordo com o escritor George Orwell, a massa mantém a marca, a marca controla a mídia e a mídia manipula a massa. Nesse sentido,  os influenciadores digitais, que são os novos agentes midiáticos das marcas, têm o papel de dominar o pensamento dos internautas em prol do consumo, seja de uma ideia, seja de um produto. Por conseguinte, a autonomia intelectual dos jovens brasileiros é ameaçada, pois esses indivíduos sofrem a influência das mídias digitais desde o nascimento. Dessa forma, as opiniões e os gostos dos mais novos se desenvolvem sob a ótica dos influenciadores digitais, tornando-os submissos às ideiais alheias.

Ademais, vale salientar que a influência desses agentes midiáticos tem como pilar a ausência de uma educação crítica nas escolas brasileiras. Segundo o filósofo Immanuel Kant, em sua teoria sobre o Esclarecimento, o homem na menoridade é influenciado pelo meio e, para atingir a maioridade, é necessário que — por intermédio da educação — ele aprenda a questionar. Nesse viés, a manipulação dos jovens pelos influenciadores digitais advém da frágil educação nacional, que não capacita o indivíduo a refletir sobre as publicações nas redes sociais dos influenciadores. Assim, a autonomia dos mais novos é prejudicada, impedindo-os de formar suas opiniões e gostos de modo independente.

Dessarte, para mitigar os riscos à emancipação dos jovens, urge que o Ministério da Educação crie, por meio de uma proposta de lei, o projeto “Debater Para Emancipar”. Em síntese, o projeto deve propor criação de uma disciplina escolar para debater temas atuais, como a própria manipulação pelos influenciadores digitais, a fim de estimular o pensamento crítico dos indivíduos. Feito isso, os jovens serão capazes de refletir sobre as publicações dos agentes midiáticos e, assim, conquistar sua autonomia.