O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 12/11/2021

É insofismável que o Brasil cresce cada vez mais em termos de desenvolvimentos tecnológicos. Entretanto, esse avanço desenfreado culmina em problemáticas sociais, uma vez que é responsável pelo aumento exponencial tanto de consumidores quanto, principalmente, de fornecedores de conteúdo digital. Tal cenário, portanto, configura calamidades, visto que o espaço ocupado pelas celebridades digitais na vida dos jovens consiste em uma influência exacerbada no comportamento social, bem como na percepção e conduta deles frente a própria vida. Nesse sentido, é válido ressaltar que o intenso acesso às redes virtuais está atrelado à influência comportamental dos conteúdos propagados pelas celebridades digitais. Em outras palavras, isso quer dizer que o jovem, inserido em um contexto tecnológico, é bombardeado por vídeos e ações seletivamente publicados pelas personagens midiáticas- o que, evidentemente, acaba por servir como espelho para o comportamento do jovem internauta. Para elucidar, segundo matéria do site “Metrópoles”, em setembro de 2021, a influenciadora Gabi Brandt publicou, em seu Instagram, um vídeo em que ensinava como fazer o corte de cabelo dela em casa e, como resultado, ocasionou um movimento em massa de meninas que, inspiradas por ela, passaram a filmar e postar sua experiência imitando-a. Por isso, é notório que o espaço ocupado pelas figuras midiáticas na vida dos jovens, por ser exponenciado pela era tecnológica em curso, é alarmante, já que interfere no comportamento social deles, na medida em que eles reproduzem o que assistem. Ademais, é preciso salientar que a influência demasiada das celebridades digitais sobre os jovens prejudica a forma como eles percebem a realidade, haja vista que ficam deslumbrados pela vida repercutida na internet. Isso significa que a frequência com que os influenciadores postam os luxos que a eles lhes são dados, como viagens, celulares e roupas de marca, transmite e corrobora um padrão de vida idealizado, que, na prática, é inatingível -situação que causa frustração e revolta, nos jovens, com suas próprias vidas. Sob essa ótica, no conceito de normalização, Michel Foucault defende que lá, na contemporaneidade, a repetição de comportamentos sem a reflexão crítica dessa conduta- tese essa comprovada com a ilusão dos jovens em querer concretizar a vida postada pelas celebridades digitais sem ponderar as variantes que permeiam a vida real, gerando assim maiores frustrações. Dessa forma, diante do exposto, é indubitável que a influência tecnológica das figuras midiáticas é prejudicial ao comportamento e ao desenvolvimento dos jovens internautas, que são iludidos pela pseudorrealidade disseminada. Logo, urge que o CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária), apoiado pelo Ministério da Cidadania, contenha o espaço ocupado pelas celebridades digitais na vida dos jovens brasileiros. Isso deve ser feito por meio da regulamentação, sujeita à aplicação de multas, dos conteúdos postados para o público juvenil, baseada na proibição de vídeos que induzem a reprodução de qualquer ação ou comportamento específicos, e mediante a divulgação de conteúdos de conscientização acerca dos riscos da influência midiática. Por conseguinte, a manipulação das celebridades digitais na vida dos jovens será atenuada e, então, tanto o comportamento social quanto a percepção diante da vida real deixarão de ser afetados.