O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 17/11/2021
Em 1808, a chegada da família real portuguesa, em terras brasileiras, alterou a dinâmica do modo de vida na colônia, visto que o desejo de seguir os costumes europeus era marcante na sociedade daquela época. De maneira análoga, hodiernamente, os avanços da tecnologia permitem que situações de influência permaneçam presentes, principalmente entre os jovens, as quais são evidenciadas pelos influenciadores digitais. Nesse contexto, os impactos dessa inspiração são refletidos no aumento do consumismo somado ao reforço do desejo de uma vida dentro dos padrões.
Inicialmente, é fundamental avaliar que os influenciadores digitais estimulam o consumismo entre os mais jovens. Desse modo, essa situação é exemplificada por grandes empresas, como a indústria de cosméticos canadense MAC, que possuem como sua principal forma de propaganda as blogueiras, por reconhecerem suas habilidades em induzir seus seguidores a adquirir determinado produto. Sob essa ótica, essa forma de propaganda é mais difundida, já que é notório que, por falarem de forma direta com o público, os “influencers” tenham a capacidade de popularizar determinada mercadoria, desencadeando o consumo inconsciente entre os mais novos. Nessa perspectiva, o vínculo entre os influenciadores digitais e seus seguidores tem, infelizmente, aumentado o desejo exacerbado de compra.
Outrossim, a atividade dos influenciadores digitais desperta o desejo de possuir uma vida dentro dos padrões pelos jovens. Segundo John Locke, o ser humano nasce como uma folha em branco que se preenche durante sua existência. Nesse viés, existe nos indivíduos esse instinto de serem influenciados, como afirmado pelo filósofo contratualista, destarte, ao presenciarem o cotidiano perfeito que é exposto pelos “influencers” em suas rede sociais, cria-se o desejo incessante de se enquadrar em determinados padrões os quais podem ser inalcançáveis, causando o sentimento de angústia naqueles que seguem esse blogueiros. Nessa atmosfera, os influenciadores digitais contribuem para a lamentável busca acirrada por uma vida perfeita.
Dessa forma, conclui-se que existem impactos dos influenciadores digitais na vida dos jovens. Portanto, cabe ao Ministério das Comunicações, aliado ao Ministério do Trabalho, regulamentar o ato de influenciar como profissão – que precise de treinamento na área de marketing e qualificação profissional. Essa ação deve ocorrer por meio de recursos disponibilizados pelo Tribunal de Contas da União, a fim de que os “influencers” tenham consciência do impacto na vida de seus seguidores e usem sua habilidade com cautela. Ademais, as famílias devem educar seus jovens para que tenham uma maior mentalidade autônoma. Assim, as influências serão positivas e construtivas, diferente de 1808.