O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 07/05/2023
Ao final da década de 1960, o filósofo Guy Debord já voltava sua atenção para as consequências sociais de um fenômeno que nomeou “cultura do espetáculo”, decorrente das representações das relações sociais em teatros, cinemas e televisões, as quais acabam por ditar as relações na realidade. Com o surgimento das midias sociais, e, consequentemente, dos influenciadores digitais, tornou-se claro que Debord nada mais do que previu uma deturpação da realidade ainda mais perigosa do que havia imaginado, que acaba por impactar, diretamente, na formação de indivíduos cada vez mais jovens, alterando suas percepções da realidade e até de si mesmos, geralmente, negativamente.
Nesse contexto, neurocientistas da Universidade da Carolina do Norte (NCSU), pesquisando a relação entre os hábitos de adolescentes e o conteúdo que consomem na internet, apontam para a formação de indivíduos hipersensíveis ao ‘‘feedback’’ externo, os levando a basearem não apenas seus gostos, como seu cotidiano e até seu conhecimento acadêmico em personalidades famosas do meio digital. Ou seja, surge uma pressão social internalizada entre os jovens derivada de uma necessidade em atender às ‘‘supostas expectativas’’ ditadas pelo algoritmo das redes sociais, tal qual na sociedade do espetáculo de Debord, que acaba passando por cima da realidade de fato e até do aprendizado escolar.
Ademais, para além dos impactos quanto a possível homogeneização do pensamento dos adolescentes, que pode ser influenciado até à conspiracionar contra teorias consolidadas academicamente, há os perigos relacionados à saúde. A distorção da realidade gerada pela difusão das imagens corporais tidas como perfeitas pelos influenciadores leva o jovem a um descontentamento consigo que, em certas proporções, pode até o direcionar a uma depressão profunda e automutilação, afirmam os pesquisadores da NCSU.
Portanto, é dever do Ministério da Educação, através de projetos nacionais em escolas e universidades, promover um maior convívio entre os alunos, professores e psicológos, para que haja uma participação efetiva desses na formação dos jovens, tornando a participação nas redes mais saudável, para, assim, minimizar os impactos negativos dos influenciadores digitais em seu desenvolvimento.