O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 18/09/2023

A terceira revolução industrial, ocorrida a partir de meados do século XX, foi marcada pelo advento da internet em diversos locais do mundo, contribuindo para uma digitalização gradual das relações sociais. No contexto brasileiro atual, vê-se como reflexo direto da digitalização social descrita o surgimento de influenciadores digitais, os quais participam ativamente da formação sociocultural dos jovens. Portanto, torna-se evidente a importância de se discutir os impactos que os ditos ‘‘influencers’’ exercem na juventude brasileiro, uma vez que estes detêm o poder de incentivar o consumismo e criar padrões estéticos para o público-alvo.

Em primeiro lugar, destaca-se a capacidade dos influenciadores digitais de atingir uma grande quantidade de telespectadores, dado o crescente acesso à internet pela população brasileira. Sob essa ótica, os conteúdos, em sua maioria, divertidos e com temáticas chamativas, mobilizam grande parte do público jovem, o qual se sente atraído pelos vídeos de um determinado ‘‘influencer’’ e se torna mais propício a adquirir um produto difundido pelo mesmo. Nesse viés, tais ideias dialogam com a ideia de indústria cultural, proposta pelos filósofos da escola de Frankfurt, na qual expõe-se a existência de uma cultura moldada para um amplo e indiferenciado grupo de consumidores, que se baseia apenas nos padrões de consumo vigentes.

Ademais, o papel exercido pelas pessoas com alto poder de influência na internet é capaz, também, de criar padrões estéticos entre o público. Desse modo, faz-se pertinente citar a teoria do habitus, criada pelo sociólogo francês Pierre Bordieu, a qual afirma que todo padrão social é imposto e depois naturalizado, para a sua posterior reprodução pela sociedade. Assim, no momento que os influenciadores apresentam a passem a naturalizar certo padrão de beleza, por exemplo, o público-alvo fica sujeito a tentar atingir tal modelo ideal de corpo de todas as formas possíveis, e se vê numa situação não sustentável e maléfica para a saúde.

Por fim, é imperativo formentar soluções para o problema em voga. Desse modo, cabe ao CONAR( Conselho nacional de autorregulação publicitária), fiscalizar as ações dos influenciadores digitais, impondo limites para a apresentação de publicidades em meio aos seus conteúdos, de modo a tornar o conteúdo visto pela população jovem brasileira mais seguro e livre dos padrões impostos.