O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.
Enviada em 31/08/2019
A Revolução Técnico-científico informacional, iniciada na segunda metade do século XX, inaugurou inúmeros avanços em diversos setores, inclusive no alimentar. Apesar da palavra tecnologia ser definida como qualquer invenção que tenha como finalidade facilitar a vida, é necessário se ater aos possíveis malefícios, como por exemplo, os alimentos ultraprocessados. Faz-se necessário, portanto, analisar os impactos desses alimentos no padrão alimentar brasileiro, a fim de tornar possível uma reeducação alimentar adequada para as transformações advindas daquela revolução.
Em primeira lugar, é válido ressaltar sobre a alimentação do ponto de vista histórico. No período neolítico deu-se início ao cultivo de plantas, nas grandes navegações do século XV, descobriu-se a urgência da necessidade de se conservar alimentos por causa das longas viagens. O ser humano, desde o período neolítico inventou tecnologias para modificar e melhorar sua vida, entretanto, nem toda invenção é benéfica, ainda mais quando o lucro está envolvido. Segundo o médico, professor e coordenador do núcleo de pesquisas da USP, Carlos Augusto Monteiro, a Indústria Alimentícia tem como lema fabricar produtos de baixíssimo custos e altamente atraentes, ou seja, com uma grande quantidade de sal, gordura e principalmente conservantes.
Em segundo lugar, é necessário se ater ao modo de vida contemporâneo. Segundo o sociólogo alemão, Hartmut Rosa," a sensação de pressa é fundamental para compreender a vida moderna". Desse modo, surgiram os chamados “fastfoods”, que representa o símbolo dos alimentos ultraprocessados, altamente prejudiciais a saúde. Somado a correria do dia a dia, o grande amplificador dos males causados por esses alimentos, é o desconhecimento dos malefícios por parte dos consumidores e a fácil entrada no mercado brasileiro.
Portanto, fica evidente a necessidade de combater tanto a desinformação quanto a fácil entrada de produtos alimentícios tão maléficos no mercado brasileiro. Isso pode ser obtido através da ANVISA em parceria com MEC, que deve instituir nas escolas, através de atividades lúdicas, tanto o mal causado por alimentos ultraprocessados quanto o que fazer para identificar um alimento saudável de um não saudável. Além disso, é fundamental que a Anvisa em parceria com a Receita Federal, aumente o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) desses alimentos maléficos e diminua esse mesmo imposto sobre alimentos saudáveis, incentivando assim o consumo destes. E por último, o Ministério de Imprensa e Propaganda (MIP), deve regularizar as propagandas de alimentos ultraprocessados da mesma forma que foi feita com os cigarros. Dessa maneira, certamente o brasileiro será capaz de reconhecer um alimento saudável e financeiramente capaz de escolhe-lo.