O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.

Enviada em 03/10/2019

Na obra cinematográfica “Pegando Fogo”,Bradley Cooper interpreta um chefe de cozinha reconhecido por utilizar produtos orgânicos e naturais na preparação de seus pratos, opondo-se categoricamente ao uso ou consumo de alimentos e ingredientes ultraprocessados em seus preparos gastronômicos. Contudo, fora da ficção os impactos gerados pelo uso dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro são contínuos, alarmantes e se devem tanto a percepção do consumidor em relação a rapidez e agilidade com a qual pode ser preparado em detrimento de alimentos menos industrializados e mais naturais, bem como o desconhecimento dos malefícios que a baixa nutrição pode provocar a saúde do indivíduo. Ambos os desafios são muito importantes de serem analisados.

Em primeiro lugar, entender que a predileção do consumidor brasileiro pelos ultraprocessados está vinculada à aceleração cada vez mais profunda da sociedade urbana que visa um alto grau de produtividade e rapidez em suas ações. Neste sentido os alimentos os ultraprocessados de origem industrial oferecem como principais viés, o rápido preparo, a longevidade em termos de durabilidade e em certos casos, a individualização de porções como meio de ser consumido no trajeto entre lugares. Cup Noodles - macarrão instantâneo - é um exemplo. No entanto, o Guia Alimentar da População Brasileira, sugere evitar o consumo de ultraprocessados devido sua baixa nutrição.

Outrossim, a troca de costume alimentar é também alicerçada pelo desconhecimento dos malefícios inerentes ao demasiado consumo dos ultraprocessados pela população brasileira.. Tal inobservância do consumidor o leva a adquirir produtos com elevado teor de conservantes, fontes orgânicas fósseis, acidulantes  e sais; que ao mesmo tempo que artificializam o alimento, constituem fatores primordiais para a baixa nutrição, doenças cardiovasculares e a não reposição de vitaminas. De maneira que os alimentos ultraprocessados tem em sua embalagem as informações nutricionais; a desatenção a isso demonstra certa equivalência às premissas do sociólogo Noam Chomsky no que tange a conivência do indivíduo na aceitação sem critérios ou reflexão em relação ao consumo de determinados produtos.

Portanto, é imprescindível que o Estado intensifique providências que minorem os impactos que os ultraprocessados tem no padrão alimentar brasileiro. Neste ínterim, o Ministério da Saúde em parceria com o Ministério da Cultura devem, respectivamente, criar programas que atendam a população na montagem de cardápios nutricionais visando a perspectiva de baixa renda, possibilitando a adequação à alimentação mais rica e balanceada; fazendo-se por meio de um setor nutricional nas unidades de pronto atendimento dos municípios. Junto a isso, far-se-á criação de cursos e workshops que informem a população quanto os malefícios de ultraprocessados, por meio de unidades escolares municipais.