O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.
Enviada em 29/08/2019
A Revolução Industrial não foi responsável somente por transformações econômicas e sociais, mas também alimentícias, visto que beneficiou a indústria de alimentos. A partir daí, o processamento de alimentos tornou-se comum. Entretanto, hodiernamente, no Brasil, os ultraprocessados têm impactado negativamente na sociedade brasileira, posto que relacionam-se com a desculturação nacional e com o aumento de doenças.
De fato, a tradição alimentar brasileira é tida como sincrética das culturas africana, européia e indígena. Todavia, a invasão de redes de “fast-food” e alimentos ultraprocessados ameaça os nossos hábitos, visto que a preferência da população por esses alimentos deixou as comidas típicas em segundo plano. Percebe-se isso fazendo uma analogia entre os livros de receitas atuais e os de trinta anos atrás, em que esses possuíam ,majoritamente, receitas de feijoadas ou galinhadas e aqueles receitas diversas com ingredientes já previamente prontos (como milho enlatado).
Além disso, a presença exorbitante dos ultraprocessados amplia a desnutrição da sociedade, visto que são caracterizados pelo excesso de açúcar e gordura e, geralmente, por não possuírem vitaminas ou sais minerais em suas fórmulas. Isso, ainda, propicia o aumento da obesidade, o que é comprovado pelos dados divulgados pela Vigitel, que demonstram um aumento de mais de 50% entre os anos de 2006 e 2016 no Brasil.
Diante do exposto, evidenciam-se prejuízos causados pelos ultraprocessados na alimentação brasileira. O Ministério da Cultura deve, portanto, promover a valorização da tradição alimentar por meio de propagandas e exposições artísticas públicas, com vistas a incentivar a cultura, posto que é ela tão importante para identidade nacional. Ademais, o Estado deve encorajar o desenvolvimento de uma melhoria na forma de se alimentar da população e na prática de exercícios por meio programas educacionais nas escolas, como feira de comidas tradicionais e olimpíadas regionais, a fim de tornar a alimentação mais nutritiva e diminuir o número de obesos no país.