O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.

Enviada em 30/08/2019

A Revolução Industrial e a inserção da mulher no mercado de trabalho aumentaram a procura das pessoas pela facilidade no momento de se alimentar, devido à escassez de tempo no decorrer do dia. Isso influenciou diretamente na qualidade da alimentação da população brasileira, que tem demonstrado preferência por alimentos ultraprocessados, o que tem ocasionado quadros de deficiência nutricional e aumento de ocorrência de doenças crônicas não transmissíveis. Uma intervenção é necessária para conter essa problemática.

Em primeiro lugar, a substituição de alimentos “in natura” ou minimamente processados, ricos em nutrientes essenciais para a saúde (carboidratos complexos, proteínas, lipídios, vitaminas e minerais), por alimentos ultraprocessados, que devido às transformações fisico-químicas reduzem a biodisponibilidade desses nutrientes, gera prejuízo para a nutrição do indivíduo, podendo ocasionar perda de massa magra e deficiência de cálcio, ferro e vitaminas A e C, de acordo com Marcia Regina Vitolo, em sua obra “Nutrição: da Gestação ao Envelhecimento”. Como consequência disso, o sistema imunológico é afetado, propiciando o desenvolvimento de doenças causadas por vírus e bactérias, como a pneumonia, por exemplo ou, até mesmo, a cegueira noturna, causada pela deficiência do retinol.

Além disso, vale destacar o aumento da probabilidade de se desenvolver doenças crônicas não transmissíveis a partir do consumo em excesso desses alimentos. Segundo o Ministério da Saúde, em dez anos o número de pessoas obesas cresceu em 60%, o que contribui para a maior prevalência de hipertensão e diabetes. Como consequência, obtêm-se o desenvolvimento de distúrbios emocionais (como a depressão) e alimentares (como a anorexia e a bulimia). Ademais, é notável a diminuição da qualidade de vida desses indivíduos a longo prazo e a aceleração de seu processo de envelhecimento por fatores como a glicação, gerada pelo excesso de açúcares simples na alimentação.

Portanto, percebe-se os impactos à nutrição e à saúde dos indivíduos que o aumento do consumo desses produtos tem causado. Cabe, então, ao Governo, aliado ao Ministério da Saúde, investir em campanhas a serem divulgadas através dos meios de comunicação e em restaurantes, bares e lanchonetes, que conscientizem a população da gravidade das consequências de uma alimentação deficiente e, também, instituir programas (em conjunto com nutricionistas) de educação nutricional, em instituições públicas e privadas de ensino, para estimular a procura por unidades de alimentação que ofereçam refeições balanceadas. Assim, diminuirá a incidência de ultraprocessados nos pratos e, consequentemente, muitos problemas de saúde pública no país.