O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.
Enviada em 30/08/2019
A indústria alimentícia é relativamente recente na realidade contemporânea. Seu fortalecimento ocorreu em consonância com o desenvolvimento da indústria química, com novos compostos sintéticos que estendem a validade dos produtos e os tornam mais atrativos ao paladar. Diariamente, o consumidor é bombardeado com as novidades no mercado dos alimentos ultraprocessados, acompanhadas por divulgação publicitária excessiva. Entretanto, a ingestão compulsória destes gêneros tornou-se um vilão na balança nutricional de adultos e crianças, visto que, tais produtos não oferecem qualidade em sua composição, como a oferta de vitaminas e proteínas essenciais à saúde.
Nesse sentido, os produtos industrializados são predominantemente calóricos devido a adição excessiva de açúcares e gorduras. Tais ingredientes, quando ingeridos em excesso, são nocivos ao metabolismo humano, e estão relacionados, atualmente, aos elevados índices mundiais de doenças crônicas ligadas ao sobrepeso. Segundo a Organização Mundial de Saúde, mais de 50% dos brasileiros estão acima do peso ideal, devido ao consumo de alimentos processados e ao sedentarismo. Importa salientar que o estímulo publicitário é um catalisador do consumo compulsório dessa dieta inadequada. No Brasil, há um deficit na regulamentação quanto ao excesso de propagandas que estão a serviço das grandes indústrias, vulnerabilizando o consumidor.
Ademais, há uma tendência mundial em desvalorizar os costumes tradicionais de alimentação, como optar pela ida a feiras públicas, que oferecem alimentos de maior valor nutricional mas que são substituídos pelos hipermercados. É certo admitir, que esses novos hábitos alimentares refletirão na cultura social das refeições, visto que, tradições milenares relacionadas ao preparo culinário vêm sendo gradativamente substituída por alimentos pré-cozidos e que visam uma ingestão prática.
Portanto, o Governo Federal em conjunto com o Ministério da Saúde devem traçar políticas públicas em prol do incentivo a adoção de um estilo de vida saudável no Brasil e a restrição dos meios midiáticos quanto ao consumo de tais gêneros alimentícios. Cita-se como exemplo, o lançamento campanhas que realizem a assistência à saúde do cidadão brasileiro, como mutirões de atendimento médico e a realização de exames básicos de diagnósticos de possíveis doenças. Além disso, quanto ao marketing desses produtos, devem ser regulamentadas as divulgações publicitárias a serviço das grandes indústrias, no sentido de atenuar os efeitos de manipulação e estímulo ao consumo de alimentos processados. Espera-se, com isso, que a sociedade brasileira caminhe para um futuro saudável.