O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.
Enviada em 24/09/2019
Segundo o filósofo francês Edgar Morin, em sua obra “A via para o futuro da humanidade”, o desenvolvimento ainda é considerado como via de salvação para a humanidade. Porém, essa conjuntura mostra-se ineficiente e está adoecendo as pessoas, como é o caso dos alimentos ultraprocessados, os quais têm impactado diretamente no padrão alimentar brasileiro. Nesse contexto, é necessário que esses produtos alimentares tenham seu consumo repensado, tanto por questões de saúde quanto por denunciar outros problemas.
Em relação ao primeiro viés, cabe destacar que esses produtos apesar de serem saborosos têm baixíssimos valores nutricionais. Para elucidar essa ideia, é válido remeter ao que fala o filósofo Thomas Hobbes, em seu livro “O Leviatã”: “o prazer é a sensação do bem, e o desprazer é a aparência do mal”. De modo análogo, por serem agradáveis ao paladar, não são vistos como maléficos e têm seu consumo feito de forma indiscriminada e excessiva. No entanto, esses alimentos provocam prejuízos à saúde daquele que os consomem, como aponta pesquisa realizada pelo Departamento de Nutrição da USP: um acréscimo de 10% do ultraprocessados na alimentação aumentava significativamente o risco de ocorrência de doenças cardiovasculares. Ou seja, esse novo padrão alimentar é insustentável e contribuirá para o aumento de casos de doenças crônicas - infarto, diabete, hipertensão - no país.
No que concerne ao segundo ponto, é relevante mencionar o quanto a desigualdade social instiga o consumo de ultraprocessados. A fim de compreender esse aspecto, é possível destacar o que fala o sociólogo Zygmunt Bauman, em seu exemplar “44 cartas do mundo líquido moderno”: o nível de desigualdade influi profundamente na dispersão e intensidade dos males. Lamentavelmente, observa-se que alimentos com alto valor nutricional e de boa qualidade, geralmente, orgânicos, têm seu acesso restrito a grupos que possuem um maior poder aquisitivo, como destaca levantamento realizado pelo jornal “Folha de São Paulo”: alimentos orgânicos chegam a ser a custar três vezes mais que alimentos convencionais. Dessa forma, a aquisição de alimentos processados torna-se uma alternativa nociva a grupos de baixa renda.
Em suma, é urgente pensar em uma forma de contornar essa problemática. Para isso, o Ministério da Saúde - por ser o setor governamental responsável pela administração e manutenção da saúde pública do país - deve criar campanhas de conscientização que informem a respeito dos alimentos ultraprocessados, como eles são produzidos, seus valores nutricionais e seus possíveis prejuízos. Isso pode ser feito por meio da mídia: postagens em sites e reportagem em jornais. Com efeito, clarificar a população quanto aos alimentos por elas consumidos, e assim melhorar o padrão alimentar brasileiro.