O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.

Enviada em 30/09/2019

A história da alimentação é paralela à história da humanidade. No começo, o homem estava muito ligado à sua sobrevivência e à natureza: ele coletava frutos, caçava e, após milhares de anos, passou a dominar técnicas que propiciaram o cultivo de alimentos naturais. Hodiernamente, devido o caráter industrial da sociedade, a maioria da população se alimenta de produtos ultraprocessados, os quais não se encontram na natureza. Desse forma, cria-se uma problemática que está relacionada não só à mudança no modo de alimentação do brasileiro, mas, também, às consequências dessa mudança, necessitando-se de medidas para atenuar tais entraves.

Em primeiro lugar, deve-se pontuar que a busca por rapidez e prazer na alimentação é um dos fatores que modifica o padrão alimentar da sociedade. Quanto a essa questão, o filósofo grego Epicuro, diz que as pessoas devem procurar prazeres moderados, sem excessos. Entretanto, o Brasil anda na contramão dessa filosofia: segundo dados do sile Abril, 34% dos brasileiros gastam com alimentação fora do lar, se alimentando, principalmente, de produtos que contém altas taxas de gordura e açúcares. Essa situação se deve à facilidade de obtenção e consumo de tais comidas, as quais são muito mais atrativas ao paladar, garantindo um prazer maior ao consumi-las.

No entanto, tal modo de vida tem acarretado uma série de problemas à saúde dos cidadãos. A respeito disso, segundo dados do site do Ministério da Saúde, em 10 anos, houve um crescimento de mais de 60% no número de pessoas que sofrem com obesidade. Tal contexto é preocupaste, pois esses problemas estão relacionados com outros mais graves. O infarto, por exemplo, é causado, dentre outros fatores, pelo excesso de gordura no sangue, o qual entope veias e aderias importantes e está intimamente relacionado com a obesidade e consumo de açúcar. Dessa forma, se não houver uma mudança de hábitos, o número de obesos e pessoas com sobrepeso tenderá a crescer.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para que o padrão alimentar brasileiro mude, urge que o Ministério da Saúde crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias nas redes sociais e na televisão que alertem a população sobre os perigos de um consumo pobre nutricionalmente, sugerindo ao interlocutor criar hábitos alimentícios mais saudáveis como, por exemplo: evitar a ingestão dos ultraprocessados e optar por alimentos naturais, tais esses como frutas, legumes e verduras. Somente assim, será possível combater o mau hábito nutritional do brasileiro e, como Epicuro explicitou, poder-se-á viver uma vida com menos excessos tão maléficos ao corpo.