O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.

Enviada em 01/10/2019

Segundo o teórico brasileiro Milton Santos, o espaço técnico-científico-informacional é a modificação que os seres humanos fazem na natureza para atenderem suas necessidades de maneira mais produtiva e eficiente. Esse conceito auxilia na análise dos obstáculos que os ultraprocessados impõem na nutrição dos brasileiros, visto que, com os avanços tecnológicos, esses produtos aumentam o índice de doenças na sociedade. Além disso, as grandes indústrias fortificam a má alimentação, pois não oferecem um mercado opcional.

Em primeiro plano, deve-se compreender que o abuso no consumo de alimentos com altos percentuais de açúcares, sal e gorduras corrobora com o surgimento de doenças, como: obesidade, diabete e hipertensão. Segundo o Ministério da Saúde, os processados que têm valores nutritivos desqualificados podem levar a doenças mentais, como a depressão, e auxiliar no preâmbulo de problemas cardiovasculares. Apesar do exposto, com a globalização e as exigências do mercado de trabalho, a população brasileira opta pelo uso destes produtos como alternativas mais viáveis, tal que os seus preparos exigem menos tempo em relação aos mantimentos mais saudáveis. Logo, para resolver o impasse imediatista, a sociedade coloca em risco a sua saúde.

Outrossim, o mercado consumidor não oferece ao contingente populacional opções mais nutritivas para a saúde humana. Nesse sentido, é mais difícil manter um equilíbrio físico quando só é ratificado produtos ultraprocessados. Ao analisar a visão do intelectual francês Jaques Bossuet, a saúde depende mais das precauções do que dos médicos, é notório que o próprio sistema de mercado sustenta a má alimentação da nação. Dessa forma, os lucros das grandes empresas tornam-se gastos para os setores do Estado, em virtude dos tratamentos e medicamentos ofertados para corrigirem os efeitos de uma dieta rica em gorduras. Destarte, mecanismos que proporcionam o alinhamento entre lucro para o comércio alimentício e melhoria nos industrializados é essencial no país.

Infere-se, portanto, a necessidade de sensibilizar a população quanto aos danos dos condimentos processados à saúde humana. Sendo assim, cabe ao Ministério da Fazenda com os bancos brasileiros facilitarem o acesso à alimentos frescos, por meio de incentivos para abertura do comércio de produtos orgânicos, tal que ocorra a redução de impostos para os empreendedores voltados a esse fim. Deste modo, será possível reduzir os índices de doenças crônicas, além de melhorar o bem-estar da sociedade.