O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.
Enviada em 04/10/2019
Segundo a nutricionista Bela Gil, “é possível mudar o mundo por meio da alimentação”. A frase foi dita pela cozinheira em razão da sua dieta em meio a tanto desequilíbrio nutricional. Tal fato é observado na sociedade atual, uma vez que essa se encontra acelerada e recheada de alimentos ultraprocessados. Dessa maneira, em um contexto que o tempo engole o homem, a preferência por uma alimentação irregular se torna constante, mas não aceitável, visto que não são mensuradas as consequências advindas da ingestão desses alimentos nada saudáveis.
Antes de tudo, é pertinente avaliar por quais motivos os ultraprocessados são frequentes na sociedade brasileira. Nesse sentido, infere-se que a liquidez da modernidade, teoria do filósofo Zygmunt Bauman, afeta o cotidiano do indivíduo, dado que esse é atingido pelo imediatismo. Em face disso, ao optar pela agilidade, o sujeito consome comidas que ofereçam praticidade, como os fast-foods e os alimentos ultraprocessados. Não obstante, a sociedade vai de encontro à teoria do filósofo Epicuro, que teoriza que os prazeres precisam ser moderados. Assim sendo, observa-se que esses alimentos oferecem prazer, especialmente pelo sabor, que costuma ser mais gostoso, mas que não é moderado, o que faz com que o indivíduo não se atente aos impactos que tais itens são capazes de gerar.
Em consequência, a escolha por esses alimentos poucos nutritivos trazem imbróglios graves ao indivíduo. Conforme o excerto do filósofo Arthur Schopenhauer, o maior erro que o homem pode cometer é sacrificar sua saúde em virtude de outras vantagens. Sob tal perspectiva, percebe-se que o indivíduo contemporâneo, ao optar pelo prazer e pela rapidez, não calcula as consequências procedentes do consumo de uma alta concentração de sódio, açúcares e gorduras trans contida nos petiscos ultraprocessados. À vista disso, nota-se o crescimento do número de cidadãos com obesidade, diabetes e pressão alta, como mostrado pelos índices do Ministério da Saúde (MS), que salienta que 52% da população está acima do peso.
Fica claro, portanto, a necessidade de adotar medidas que revertam o quadro do consumo de ultraprocessados na sociedade. Dessa maneira, o Ministério da Educação, auxiliado pelo MS, deve promover palestras nas escolas e universidades brasileiras, comandadas por nutricionistas, com vistas a ensinar e influenciar a importância da reeducação alimentar e ingestão de alimentos saudáveis desde a base. Ademais, é necessário que o Ministério da Saúde, junto com a grande mídia, aborde o tema com mais frequência, seja em programas televisivos, ou propagandas informativas na internet, a fim de atingir um grande público e modificar o quadro brasileiro. Com tais medidas aplicadas de forma eficiente, será possível mudar o mundo por meio da educação, como dizia Bela Gil.