O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.
Enviada em 31/10/2019
A constituição Federal de 1988 - ordem de maior hierarquia no sistema jurídico brasileiro - assegura a todos a saúde, direito social presente em seu artigo 6. Conquanto, o impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro demostra que esse ideal não está sendo executado pela população nacional, devido não só a esses alimentos serem ricos em substâncias potencialmente nocivas aos seres humanos, mas também serem pobres nutricionalmente.
Primeiramente, o filme “Tá Chovendo Hambúrguer” retrata a população de uma ilha do atlântico sendo ameaçada por alimentos ultraprocessados gigantes produzidos por uma invenção humana que se encontra no céu. Nessa animação, o perigo não se trata apenas do lugar se enterrado por produtos alimentícios, a obesidade também se faz presente na história. Fora da ficção, o aumento de doenças crônicas, tais como a retratada no filme e o câncer, tem crescido na nação tupiniquim devido ao consumo das substâncias comestíveis, o que se configura um grave problema de saúde pública e piora a situação do já sobrecarregado Sistema Único de Saúde - SUS. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), de 2000 a 2013, a venda per capita desse tipo de mercadoria aumentou 26,7% nos 13 países latino-americanos analisados, entre eles o Brasil. Isso ocorre pelos ultraprocessados serem extremamente palatáveis e conterem substâncias potencialmente viciantes, como o açúcar. Dessa maneira, brasileiros dão preferencia a produtos artificiais e marginalizam comidas com forte tradição cultural nacional e regional.
Em segundo plano, vale ressaltar que o processo pelo qual os produtos alimentícios passam os torna pobres nutricionalmente, o que prejudica a sensação de saciedade. Ou seja, pessoas , apesar de comerem muito, se tonam subnutridas, e seus organismos, por causa disso, as fazem ingerir mais alimentos ultraprocessados, o que gera um ciclo vicioso. Além disso, a modernidade inseriu a população em rotinas apressadas e exaustivas, o que tornou os “fast-foods” muito populares na nação. Unido a isso, cabe acrescentar empresas intermediadoras entre consumidores e restaurantes, como a Ifood, que mudaram completamente os hábitos de consumo dos brasileiros. Assim, se tornou mais fácil o acesso a alimentos artificiais, principalmente para as camadas mais jovens da população.
Destarte, é imprescindível que medidas sejam tomadas para resolução dessa inercial problemática. O Ministério da Saúde, em parceira com mídias de grande impacto, deve promover a educação alimentar no Brasil e a valorização de comidas típicas de cada região nacional, mediante debates aprofundados sobre a temática, em programas televisivos, feitos por nutricionais e apresentadores carismáticos, afim de mitigar o impasse no país com o repúdio dos ultraprocessados.