O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.

Enviada em 02/12/2019

livro “Modernidade líquida”, do sociólogo Zygmunt Bauman, retrata as problemáticas oriundas da contemporaneidade, como a mudança no padrão alimentar. Por conseguinte, no Brasil, há desafios no que tange o consumo crescente de alimentos ultraprocessados, haja vista os seus impactos na saúde. Outrossim, cabe analisar a influência midiática e a banalização nutricional, para que medidas sejam efetuadas.

Primordialmente, é notável que os ultraprocessados são alimentos que surgiram com a Revolução Técnico-Científico-Informacional do século XX, os quais possuem um maior prazo de validade devido às suas altas concentrações de açúcar, sal, óleo, dentre outras coisas. Conforme o documentário norte-americano “What the health”, apesar do baixo valor nutricional desses alimentos, eles são amplamente consumidos por conta da influência midiática que incentiva seu consumo para que haja lucro. Sob esse viés, as mídias, como as propagandas de fast food, catalisam esse novo padrão alimentar.

Consequentemente, o sobrepeso e as doenças crônicas geradas por uma alimentação inconsciente, como diabetes e hipertensão, encontram-se dentre os dez maiores riscos à saúde da atualidade, de acordo com dados da OMS, Organização Mundial da Saúde. Nesse ínterim, é possível parafrasear Hannah Arendt, filósofa contemporânea, e dizer que essa realidade deve-se, sobretudo, à banalização do mal, isto é, a falta de conhecimento populacional sobre os impactos dos ultraprocessados perpetua seu consumo. Logo, subterfúgios são necessários.

Infere-se, portanto, que o Ministério da Saúde deve criar um projeto chamado “Ultraprocessados zero”, o qual ocorra em centros comunitários, escolas e postos de saúde. Essa medida visa a ministrar palestras, que devem ser gravadas e publicadas em uma página virtual, sobre os impactos dos ultraprocessados no padrão alimentar. Dessa forma, por meio da ação governamental é possível combater as problemáticas alimentares. Assim, alcançar-se-á uma modernidade menos “líquida”.