O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.

Enviada em 16/02/2020

A célebre música “Geração Coca-Cola”, idealizada pela banda brasiliense Legião Urbana, revela hábitos peculiares da sociedade pós-moderna, em que o consumo e o estilo de vida das pessoas são pautados em excessos. Sob essa ótica, percebe-se que tal fenômeno relaciona-se ao padrão de alimentação cada vez mais irregular no Brasil, o que constitui uma problemática de ordem cultural e socioeconômica. Dessa maneira, faz-se importante expor e viabilizar medidas para mitigar esse quadro caótico.

Em primeiro plano, é imperativo postular que, a partir da Segunda Revolução Industrial,  o ramo alimentício foi ampliado com a criação de “fast-foods”, o que teve, por consequência, impactos negativos nos hábitos alimentares em esfera global. Nessa lógica, diversos problemas de saúde expandiram-se no mundo com o surgimento dos comestíveis ultraprocessados, como doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes ,obesidade, e câncer, aumentando a necessidade da atuação de profissionais da área nesse quesito.  Isso comprova-se a partir de dados da Organização Mundial da Saúde, que indica, estatisticamente, a existência de 2,3 bilhões de pessoas acima do peso no planeta. Logo, é substancial que mudanças nesse quadro sejam efetivadas.

Outrossim, vale mencionar que as políticas públicas de orientação alimentícia no país são escassas, o que agrava ainda mais a problemática. Posto isso, a educação alimentar torna-se ausente no Brasil, dificultando a ininterrupção dos impasses gerados por refeições ultraprocessadas e industrializadas. Tal fenômeno pode ser analisado à luz do sociólogo polonês Zygmunt Bauman ,haja vista que este afirma que, na era da modernidade, há um constante declínio de atitudes éticas e favoráveis ao bem-estar coletivo, já que os valores sociais são movidos por pretensões individualistas e capitalistas. Assim, tal conjuntura em voga deve ser amplamente debatida no globo.

Em síntese, é imprescindível que haja uma redução radical do consumo de comidas ultraprocessadas no Brasil, devido aos malefícios ocasionados por estas. É fundamental, portanto, que o Estado, a partir do Poder Legislativo, desenvolva um projeto de lei que obrigue as empresas a diminuir o uso de substâncias químicas prejudiciais nos insumos a serem vendidos, por meio de órgãos especializados em fiscalização,visando de reduzir os impactos negativos destas nas refeições dos cidadãos brasileiros. Ademais, cabe ao Ministério da Educação implementar uma disciplina específica voltada para a educação alimentícia nas escolas, mediante palestras, debates e distribuição de materiais informativos. Desse modo, garantir-se-á uma verdadeira revolução nos hábitos alimentares desde a infância, e reverter-se-á o estilo de vida proporcionado pela “Geração Coca-Cola”.

de palestras,distribuição de materiais informativos, debates, e atividades