O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.

Enviada em 28/03/2020

Promulgada em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos assegura a todos os cidadãos o direito à saúde e à alimentação. Todavia, as recentes mudanças nos hábitos de consumo e a maior disponibilidade de alimentos artificiais comprometem o desfrute salutar das prerrogativas tuteladas. Nessa perspectiva, evidencia-se a necessidade de intervenções estratégicas com o intuito de contornar o hodierno cenário.

Sabe-se que o consumo excessivo de alimentos processados é uma das principais causas da obesidade e da prevalência de outras comorbidades como a diabetes e a hipertensão. Atualmente, por estar entre as principais economias mundiais, é racional crer que o Brasil atual de forma contundente no combate a esses males. Entretanto, a realidade não é bem essa e o resultado desse contraste é refletido no significativo aumento da parcela populacional que se encontra em sobrepeso. Segundo pesquisa do Ministério da Saúde, entre 2006 e 2018, houve um aumento de quase 68% no referido índice.

É necessário salientar que, além do prejuízo fisiológico, a obesidade acarreta danos psicológicos, diminui a autoestima e intensifica sintomas da depressão. De acordo com Sêneca, filósofo romano, parte da cura consiste no desejo de ser curado. Diante disso, torna-se clara a importância da prevenção, que  começa com a autoconsciência acerca da realidade, seguida pelo estudo dos fatores envolvidos e da tomada de iniciativas em prol da melhoria.

Destarte, o governo deve valer-se de seus órgãos subordinados como secretarias de saúde e universidades para execução de ações, em centros de grande circulação e em redes sociais, com foco na saúde e no bem estar. Deverão ser convidados especialistas como médicos, educadores físicos e nutricionistas, que busquem atrair a atenção do público de forma interativa e repassar conhecimento com qualidade e dinamismo. Assim, ao conclamar a sociedade à participação, as chances de êxito aumentarão substancialmente.