O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.

Enviada em 02/04/2020

A partir da Modernidade, com a ascensão do modelo Fordista de Henry Ford os setores produtivos dinamizaram. Do mesmo modo, a indústria alimentícia apropriou-se do fator de estoque, linha de produção, custo e tempo reduzido para gerar produtos baratos, rápidos e escalonáveis, sobre isso, pode-se citar as redes de “fast food” e comidas embaladas em geral. Somado a isso, com o massivo investimento midiático e com as mudanças nos costumes do século XXI, urge analisar a importância dos hábitos alimentares mostrados na mídia e os problemas de subnutrição oriundos do consumo de alimentos ultraprocessados no Brasil.

Mormente, a publicidade sobre produtos industrializados, sobretudo para faixas etárias menores, compreendem exibições exageradas e até idealizadoras da “felicidade” vinda de um insumo. Essa correlação entre mídia e criação de novos hábitos é antiga, é graças a glamourização do ato de fumar na moda e nas dramaturgias que ele tornou-se sinônimo de elegância no século XX, por exemplo. Em síntese, a romantização dessas cenas comerciais de alimentos e de bebidas podem provocar o consumo de um produto pela sensação ou “status” que ele pode trazer e deixará de ser para saciedade. Então, nesse aspecto, vale considerar as propagandas de cervejas, biscoitos, salgadinhos, chocolates e afins como entraves para o combate a adoção da alimentação saudável.

Em consequência da má alimentação, não é incomum o aparecimento de doenças como a diabetes e a hipertensão. Sobre os alimentos ultraprocessados, a presença de carboidratos simples, sódio, poucas vitaminas, calorias elevadas e alto teor de gordura trans resultam na subnutrição e na obesidade. Embora pareçam andar disjuntos, haja vista a fácil associação de um com a fome e o outro ao excesso alimentar, respectivamente, nota-se que com o aumento no consumo dos processados o indivíduo não garante os nutrientes necessários para um dieta saudável e completa.

Destarte, faz-se mister a implementação de medidas governamentais para intervir na alimentação do brasileiro. Portanto, cabe ao Ministério da Saúde, junto à Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), se comprometer em regularizar as advertências (tal como já acontece nas propagandas farmacêuticas, de bebidas alcóolicas e de antitabagismo) também sobre o uso excessivo de alimentos industrializados e desvinculá-los dos horários infantis – entre exibições de animações, por exemplo -. Fora das telas, disponibilizar nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) periodicamente nutricionistas e educadores físicos para orientar as famílias e promover acompanhamento individualizado nas comunidades, seja por meio de consultas ou palestras. Assim, será possível reduzir o consumo exacerbado dessas comidas e promover hábitos saudáveis para toda população.