O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.
Enviada em 06/04/2020
No período paleolítico, o homem se alimentava de proteínas, grãos e frutas, porque sua sobrevivência implicava em caçar e comer o disponível no meio ambiente. Na atualidade, para sobreviver, é necessário trabalhar muitas horas por dia, além de gastar bastante tempo em deslocamento, o que reduz os momentos dedicados ao preparo das refeições. Acrescido a isto, o baixo poder aquisitivo de muitos cidadãos faz com que se opte por itens baratos, tornando atraente o consumo dos alimentos ultraprocessados, uma vez que são práticos no preparo e custam menos.
O incremento no número de indivíduos obesos mostra, na prática, o resultado da má alimentação. Muitos desses têm dieta pobre em frutas, verduras e cereais, mas rica em itens ultraprocessados. Por consequência, são mais susceptíveis ao diabetes, hipertensão e câncer, e poderão utilizar mais os serviços de saúde. Ocorre que, se por um lado, arrecadam-se tributos com a venda desses alimentos, por outro, será muito difícil sustentar financeiramente o sistema público de saúde para tratar as complicações das patologias elencadas anteriormente.
O Ministério da Saúde elaborou um plano de enfrentamento das doenças crônicas. Dentre as metas, está a redução do teor de sódio e açúcares nos alimentos industrializados. Ocorre que, apesar dessa medida, ainda há muitos produtos alimentícios no mercado que contêm teores inaceitáveis de aditivos químicos, e que contribuem com o aumento da obesidade, principalmente entre as crianças.
Diante do exposto, faz-se necessário que as famílias, em horários livres de trabalho, assumam o compromisso de preparar seus alimentos, e congelar porções para consumo ao longo da semana. Além disto, o Estado deverá conceder isenção fiscal a pequenos produtores de frutas e verduras como estratégia de reduzir o preço de venda. E, por fim, o Ministério da Saúde precisa continuar cobrando das indústrias alimentícias, a redução dos aditivos químicos nos alimentos, além de sobretaxar àqueles que não cumprirem com os acordos.