O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.

Enviada em 15/04/2020

Segundo a Constituição Federal de 1988, é garantido a todo e qualquer indivíduo o direito à saúde e à qualidade de vida.Entretanto, tal plano teórico não se aplica totalmente à realidade brasileira, uma vez que há impactos dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.Nesse contexto, parte da população têm suas garantias constitucionais violadas, isso sendo consequência da negligência governamental, somada à má formação escolar, o que dificulta a atenuação da problemática.

A priori, observam-se algumas distorções governamentais no cumprimento de seus deveres e, especificamente, em fiscalizar adequadamente a produção de alimentos ultraprocessados.Nesse viés, de acordo com o filósofo Thomas Hobbes, em sua teoria contratualista, os indivíduos de uma sociedade abrem mão de parte de suas liberdades e delegam funções ao Estado, a fim de atingir o equilíbrio social.Sob essa perspectiva, o governo falha à medida que não garante que produtos processados, como biscoitos recheados e comidas enlatadas, possuam tabelas nutricionais fidedignas à realidade e alertem sobre o seu baixo valor nutricional.Logo, a escassez  dessas medidas corrobora para que os cidadãos adicionem, em crescente quantidade, essas mercadorias à  sua dieta, as quais podem gerar doenças como diabetes, hipertensão e outros problemas de saúde.

A posteriori, as instituições de ensino priorizam a ordem e a disciplina em detrimento da formação social do indivíduo.Nesse ínterim, o filósofo Theodor Adorno apontou como possibilidade sociológica uma pedagogia para autonomia, a fim de desenvolver o domínio pleno do conhecimento e a capacidade de reflexão do indivíduo.Nessa conjuntura, o tecido educacional é ineficaz em fomentar, no aluno, um senso crítico de forma a reconhecer os riscos do consumo de alimentos ultraprocessados e pobres em micronutrientes como vitaminas e minerais, além da alta quantidade de açúcares e gorduras.Portanto, grande parte da população é alienada quanto aos impactos presentes na ingestão dessas comidas e as consequências para a saúde citadas a priori, além da sacarose ser uma substância viciante, o que torna a pessoa dependente dela e prejudica seu desenvolvimento social.

Dessa forma, são necessárias medidas capazes de mitigar essa problemática.Destarte, cabe ao Governo Federal ampliar a fiscalização dos produtos alimentares processados, por meio do financiamento de profissionais sanitários, os quais irão verificar periodicamente as substâncias presentes nessas mercadorias e compará-las com sua tabela nutricional, a fim de identificar possíveis incongruências e impedir sua comercialização.Ademais, o Ministério da Educação deve financiar nas escolas palestras ministradas por nutricionistas, os quais orientarão os alunos acerca dos riscos no consumo exacerbado de açúcares, gorduras e, assim,  prevenir impactos na saúde da população.