O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.
Enviada em 16/05/2020
In natura, minimamente processado, processado e ultraprocessado. Essas são as maneiras que o Ministério da Saúde (MS) classifica os alimentos, através do Guia Alimentar para a População Brasileira de 2014. Este guia consiste em um manual para população brasileira, como esta deveria fazer suas escolhas alimentares, sobretudo, priorizando os alimentos in natura. Contudo, estudos realizados pela Unicamp revelam que os brasileiros estão indo na contramão das recomendações do Guia, de maneira que há um excesso de produtos artificiais, como fastfoods, em detrimento do consumo dos produtos regionais e com forte tradição cultural. Assim, os ultraprocessados interferem negativamente no padrão alimentar brasileiro e há consequências tanto para os indivíduos, como para a saúde pública no geral.
Primeiramente, ultraprocessados são alimentos com altos teores de amido, açúcares, sódio, gorduras trans e conservantes. São alimentos como biscoitos recheados, refrigerantes, pizzas, entre outros que vem ganhando espaço no mercado brasileiro. Isto se deve ao fato de que são comidas rápidas e fáceis de serem consumidas e na contemporaneidade, no qual tempo é dinheiro, as pessoas vêm optando por esse tipo de alimentação. Entretanto, esses alimentos são prejudiciais a saúde dos indivíduos, uma vez que excesso de lipídeos e carboidratos podem desencadear doenças cronicas não transmissíveis como hipertensão arterial, diabetes e insuficiência cardíaca, como ressalta a Organização Mundial de Saúde. Assim, os ultraprocessados têm impactos negativos padrão alimentar brasileiro.
Todavia, a longo prazo, o alto consumo de alimentos ultraprocessados pelos brasileiros irá se configurar em um problema de saúde pública, uma vez que esses provocam impactos na sociedade, desde altos números de mortalidades pelas doenças cronicas não transmissíveis mas também os custos dos tratamentos de tais doenças. O Sistema Único de Saúde (SUS) é um dos maiores sistemas de saúde pública do mundo, contudo, não tem estruturas para tratar todos os brasileiros ao mesmo tempo com os recursos que são à ele disponíveis. Uma pesquisa de 2013 feita pelo MS revela que o SUS gasta quase 490 milhões de reais por ano com obesidade e as 26 doenças associadas à essa doença inflamatória. Destarte, os ultraprocessados também têm impactos no sistema público saúde.
Logo, fica claro que precisa-se desincentivar o consumo de tais alimentos, e para isso, o MS com parceria com o Ministério da Educação além de realizar propagandas nos meios de comunicação, como redes sociais, poderia também oferecer às escolas, disciplinas eletivas de nutrição com palestras e folhetos informativos para que jovens, a partir do conhecimento, aprendam a como se alimentar de maneira saudável, a fim de formar adultos com hábitos saudáveis e que assim, diminua-se o consumo de ultraprocessados e como consequência, diminua-se o risco do SUS entrar em colapso.