O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.

Enviada em 04/06/2020

A partir de fenômenos como a globalização, acentuada pós-Guerra Fria, o ritmo de trabalho em meio a sociedade tem crescido em velocidade jamais vista. Nesse sentido, hodiernamente, as pessoas passaram a possuir menos tempo para as tarefas comuns de casa, tal como como cozinhar, o que tem corroborado para a construção de contextos nos quais se misturam, infelizmente, não só o recrudescimento de ações capitalistas ao ultraprocessar alimentos, mas também pelo arrefecimento de hábitos saudáveis, o que proporciona enfermidades.

A priori, é razoável supor que o Brasil, cuja economia é baseada na produção de alimentos de qualidade elevada, a alimentação balanceada e saudável deveria ser narrativa por excelência, porém tal vontade não tem encontrado respaldo na arena capitalista. Segundo Adorno, filósofo da escola de Frankfurt, as empresas buscam criar propagandas elucidativas dos seus produtos, dando-os benefícios que, na realidade, eles não capazes de oferecer. Sob respectivo viés, uma vez que os alimentos alterados, em suas propagandas, passam a ideia, diversas vezes, de amigos felizes e reunidos se alimentando, há a potencialização dos lucros, uma vez que as pessoas compram para serem felizes, porém, em detrimento disso, parcelas expressivas da população aderem doenças pelas substâncias.

Sob outro ângulo, em decorrência do fator supracitado, vastas camadas de brasileiros com enfermidades advindas dos maus hábitos alimentarem contribuem para a sedimentação de problemas sociais e econômicos no país. Isso ocorre, pois, a falta de informação da sociedade sobre o que come cristaliza certa distância entre os cidadãos e uma boa qualidade de vida, além de, à medida que o Estado não investe em prevenção -como propagandas informativas- das doenças, propiciadas por uma dieta não saudável, os custos do SUS com os tratamentos são demasiadamente maiores, sendo exemplo decorrente dessa conjuntura, as doenças cardiovasculares, muitas vezes formadas pelo excesso de gordura, são as que mais matam no Brasil segundo o MS.

Depreende-se, portanto, que o impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro advém de atitudes baseadas no capitalismo deletério e necessita de medidas que alterem esse quadro. Para tanto, cabe ao Estado - garantidor de todos os direitos para uma vida digna - a criação de um projeto o qual o MEC e o poder Legislativo trabalhem juntos, sendo este responsável por desenvolver um projeto de lei, com fiscalização, o qual obrigue as empresas a diminuírem o uso de aditivos químicos nos alimentos, a fim de reduzir seus impactos causados, enquanto aquele deve implantar, nas escolas, dentro do conteúdo da disciplina de Educação Física, aulas a serem ministradas por nutricionistas, cujo conteúdo esclareça os malefícios dos alimentos ultraprocessados e, desse modo, previna doenças.

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