O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.

Enviada em 01/06/2020

Durante o século XVIII, além das inovações provocadas pela Revolução Industrial no processo fabril, alterou-se também o padrão alimentar. Nesse sentido, houve o aumento de consumo de alimentos ultraprocessados, oferecendo risco a uma dieta balanceada e, assim, contribuindo para o incremento do índice de obesidade. Tendo isso em vista, é inegável que os maus hábitos alimentares são um problema no Brasil, que advêm não só da comodidade proporcionada, como também da deficiente distribuição dos produtos “in natura” em parte do território nacional.

Em uma primeira análise, observa-se o aumento das jornadas de serviço e a inserção das mulheres no mercado de trabalho, fazendo com que os cidadãos despendam menos tempo em casa. Dessa forma, há o crescimento da busca por alimentos que ofereçam maior praticidade e facilidade no preparo, não sendo rara a substituição de pratos principais por refeições instantâneas, como hambúrgueres e macarrão pronto, de baixo teor nutricional. Ademais, as redes de “fast food”, em razão de sua rapidez e baixo custo, estão cada vez mais incorporadas no cotidiano dos indivíduos pós-modernos, acarretando uma piora na qualidade de vida e saúde da população.

Outro fato de suma relevância é a grande disparidade em relação à facilidade de obtenção de alimentos saudáveis. Tal fato é definido pelo conceito de deserto alimentar, sendo denominados dessa maneira os locais de difícil acesso a comidas nutritivas, onde, consequentemente, possui reduzida ingestão das mesmas. Logo, as áreas mais ricas e elitizadas são favorecidas com a maior oferta de mantimentos de variados tipos, enquanto os lugares distantes dos centros urbanos são relegados a segundo plano, tornando, muitas vezes, inacessível a compra de alimentos, impossibilitando a reversão desse cenário de desbalanceamento alimentar.

Fica clara, portanto, a necessidade de medidas para a resolução desse impasse. O Ministério da Educação, juntamente da mídia e da família, devem promover as informações sobre reeducação alimentar, ocorrendo por meio de inclusão desse assunto no currículo escolar e campanhas publicitárias que abordem a imprescindibilidade da população consumir produtos alimentícios benéficos à saúde, visando o bem dos indivíduos e a prevenção de diversas doenças acarretadas por esse mau hábito. Além disso,, a fim de levar a segurança alimentar a zonas periféricas da cidade, as prefeituras dessas regiões devem incentivar a produção agrícola regional, através de subsídios econômicos aos pequenos produtores. Desse modo, a realidade distanciar-se-á da vivida hodiernamente e tornar-se-á mais saudável.