O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.
Enviada em 04/06/2020
Na mitologia grega, Sísifo foi condenado por Zeus a rolar uma pedra, montanha acima, eternamente. Todos os dias Sísifo alcançava o topo da colina, mas era vencido pelo cansaço, sucumbia e a pedra retornava à base. Hodiernamente, esse mito se assemelha com a luta cotidiana dos profissionais responsáveis pela alimentação humana, em conscientizar seus pacientes a não fazerem uso de alimentos processados, uma vez que esse tipo de comida faz mal à saúde. Sendo assim, não há dúvidas de que o consumo de alimentos ultraprocessados no Brasil é um desafio que precisa ser vencido, porém barreiras como a falta de falta de educação alimentar, assim como à negligência governamental são fatores preponderantes para que o obstáculo não seja traspassado.
Nesse cenário, cabe analisar a máxima que diz que educação vem de berço. Dessa forma, corroborando com o que disse o escritor estadunidense Oswald Makenzie, em seu livro, “As crianças aprendem com os pais”, as crianças constroem suas tendências alimentares justamente pelo que os pais as oferecem, e desta maneira, se elas tomam refrigerante na infância, será um adulto com o paladar voltado a esse tipo de açúcar. Logo, parte dos adultos, na correria do dia-a-dia, aproveita-se dessa falta de tempo, aliado com a facilidade que os produtos industrializados, em particular os ultraprocessados, e oferecem esse tipo de alimento para as crianças, e assim, há uma perpetuação de falta de educação alimentar.
Ademais, é dever do Estado, garantir que a sua população tenha acesso à saúde, mas o Governo não efetiva esse direito. Nesse sentido, segundo Aristóteles, no livro “ Ética a Nicômaco”, a política serve para garantir o bem-estar da população. Contudo, se verifica que esse conceito encontra-se deturpado no Brasil, uma vez que não é eficaz a política pública para o combate do consumo de alimentos prejudiciais à saúde, como os ultraprocessados, e destarte, sua população adoece, sendo o Estado corresponsável pela enfermidade de seus cidadãos.
Portanto, para mitigar o problema elencado, faz-se necessário que o Governo – órgão máximo do Poder Executivo – elabore por meio de leis, artifícios que coíbam o consumo de alimentos ultraprocessados no Brasil, como proibição de veiculação desse tipo de alimento na TV e Internet, para que a sociedade beneficiada. Além disso, é responsabilidade do Ministério da Educação – órgão máximo da educação brasileira - fomentar, por meio de recursos federativos, a inclusão de disciplinas que tenham como foco a educação alimentar, para que a população mais jovem seja conscientizada dos maleficíos dos alimentos ultraprocessados, e sejam evitadas o consumo destes. Como efeito social, haverá tendência à diminuição do consumo de alimentos prejudiciais a saúde dos brasileiros.