O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.

Enviada em 30/06/2020

Com o advento das Revoluções Industrias, procurou-se formas de fomentar a produtividade de alimentos que levou ao desenvolvimento de métodos e técnicas para aumentar sua longevidade, marcando a geração e formação de suprimentos ultraprocessados. Sob esse viés, esse tipo de comida traz em sua composição uma gama de substâncias nocivas à saúde que aumenta sua durabilidade e características palatáveis. Todavia, essa nova dinâmica alimentar trouxe imensos impactos no padrão alimentício do Brasil, como o aumento da obesidade e diabetes. Tal problema ocorre devido à falta de uma educação específica e à influência de culturas estrangeiras.

Constata-se, a princípio, que a falta de uma educação própria no que tange à alimentação perpetua o impacto dos ultraprocessados no Brasil. Nesse sentido, a teórica Vera Maria Candau afirma que o sistema educacional está presos a moldes do século XIX e não oferece propostas significativas para as inquietudes hodiernas. Sendo assim, a atual seara educacional não tem meios pedagógicos que ensinem ou atenue a questão dos efeitos dos alimentos processados sobre o padrão alimentar brasileiro, de modo que alimentação compulsiva tornou-se uma característica da sociedade contemporânea brasileira, criando grandes abismos no sistema de saúde brasileiro.

Outrossim, somado ao supracitado, a influencia de culturas estrangeiras potencializou o uso dos alimentos ultraprocessados. Nesse contexto, durante o período da Guerra Fria, nos Estados Unidos, disseminou-se a expressão " American Way Of Life", que foi muito utilizada pela mídia para mostrar as diferenças da qualidade de vida entre as populações dos blocos capitalista, por meio de propagandas, como as de alimentos processados, que tinham o intuito de estabelecer uma referência entre as nações. Nessa lógica, esse fenômeno não se limitou somente aos países norte americanos, como também se difundiu por toda a América do Sul, estabelecendo padrões alimentares que pareciam expressar plenitude social, o que favoreceu sua consolidação por todo o mundo.

Nessa perspectiva, portanto, é mister que medidas sejam tomadas para obliterar os impactos dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro. Para isso, cabe ao Ministério da Educação oferecer uma educação alimentar nas escolas, por intermédio da inclusão da disciplina “Gastronomia Saudável”, a qual irá ensinar, mediante receitas e documentários, um padrão alimentar saudável, a fim de coibir o problema. Ademais, o Estado, junto às mídias, deve fomentar o saber crítico da população, por meio da criação de um programa televisivo denominado “Decifrando Padrões Alimentares”, o qual irá advertir a população sobre a história dos ultraprocessados e sua influência sobre suas vidas, com o intuito de que a problema seja resolvida, e o uso de ultraprocessados seja esquecido.