O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.
Enviada em 07/07/2020
“Desembale menos e descasque mais”. Olhar para o Brasil e não enxergar essa frase como algo necessário nos dias atuais é sinal de uma falta de preocupação com o destino do país. Os ultraprocessados vêm ganhando força a cada ano com suas propagandas extremamente utópicas que, quando colocadas na realidade, mais se parece uma distopia.Os dois principais desafios em relação aos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro são: a globalização e os baixos preços desses alimentos.
Em primeiro lugar, é preciso analisar como a globalização causa um impacto negativo na alimentação do brasileiro. Isso se deve ao fato de que grande parte da dieta da população advém de alimentos industrializados, que passaram por poucos ou muitos processos químicos, mas, de qualquer forma, passaram. De acordo com matéria da BBC, a indústria alimentar mundial é controlada por 10 grandes empresas que, por sua vez, possuem como base de seus lucros a produção e distribuição de ultraprocessados. Nessa perspectiva, percebe-se que essa globalização apresenta uma espécie de cartel mundial que colabora, principalmente nos países de terceiro mundo, com o hábito da má alimentação. Consequentemente na população desses países, crescem os índices de obesidade e doenças cardiovasculares, oriundas da falta de educação alimentar.
Em segundo lugar, é necessário discutir como o baixo preço dos alimentos ultraprocessados contribui para o padrão alimentar brasileiro. Isso acontece porque esses alimentos apresentam um baixo custo de fabricação atrelado à sua longa duração que barateia o custo final do produto. Segundo o documentário “Muito além do peso”, grande parte das famílias entrevistadas falam que o preço é o principal fator na hora de se decidir o que comprar. Desse modo, em contrapartida a isso, vêm os alimentos orgânicos que, além de serem difíceis de se encontrar, apresentam preços muito superiores aos dos ultraprocessados. Como consequência, fica inviável, para a maioria da população, ter como base da dieta os alimentos orgânicos.
Portanto, para se amenizar os desafios em relação ao tema, é necessário elaborar novas propostas. O Estado, devido ao seu papel transformador na sociedade, deve instigar a população à diminuição do consumo de utraprocessados, através da sobretaxação desses produtos no Brasil, para que o mercado dos alimentos orgânicos possa competir de maneira justa a fim de que não se precise levar em conta o fator econômico durante a busca de uma boa alimentação.