O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.
Enviada em 10/07/2020
No filme “Super size me- a dieta do palhaço”, um homem se alimenta somente de fast-food durante um mês, visando demonstrar os malefícios do consumo de alimentos processados. Como resultado, ele adquiriu mais de dez quilos, teve aumento significativo do colesterol, além de alteração de humor, disfunção sexual e acúmulo de gorduras em seu fígado. Não distante do experimento, no Brasil, muitas pessoas têm sofrido com situações semelhantes. Nesse sentido, convém analisar os impactos provocados pelo tema e discutir soluções para o problema.
Primeiramente, os alimentos industrializados trazem consigo a proposta de serem baratos, práticos, com prazos de validade longos e sabores mais intensos que os naturais. Entretanto, para realizarem tal feito, as empresas adicionam corantes, conservantes, muito sal ou açúcar, gorduras e flavorizantes. Por conseguinte, modificam o pleno desempenho do corpo humano, facilitando o desenvolvimento de alergias, câncer, ansiedade e obesidade. Segundo o relatório sobre segurança alimentar na América Latina, realizado pela ONU e a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), o sobrepeso dos brasileiros era de 54,1%, em 2014. A OMS, por sua vez, informa que 9,4% das meninas e 12,4% dos meninos são considerados obesos em território nacional.
Outrossim, o setor de alimentos rápidos é responsável por um número alarmante na produção de lixo, advindo de embalagens e itens de uso único. Além disso, há a cultura do desperdício, que leva ao lixo 6 mil toneladas de comida por ano, somente nesse segmento, de acordo com uma pesquisa da World Resourses Institute (WRI) Brasil. Tendo em vista que boa parte desse material não possui um descarte correto, diversos rios são contaminados e, consequentemente, afetam a saúde de quem os usufrui, adquirindo, por exemplo, disenteria bacteriana e esquistossomose.
Portanto, é mister que medidas sejam tomadas para diminuição dos impactos dos ultraprocessados na sociedade brasileira. Cabe ao Ministério da Saúde criar medidas que limitem a quantidade de substâncias artificiais nos produtos, bem como indicar ao consumidor se há, ou não, altas porcentagens de um determinado item, a fim de limitar problemas como tireoidismo, hipertensão, hiperglicemia, diabetes e afins. Ademais, é possível que a Anvisa- Agência Nacional de Vigilância Sanitária- atue de forma mais intensa nesses estabelecimentos, verificando as condições de higiene do local e como é feito o descarte dos materiais orgânicos e inorgânicos e, no caso de inadimplência, multar ou encerrar as operações do mesmo. Dessa forma, haverá uma diminuição considerável da problemática e aliviará o Sistema Único de Saúde- SUS.