O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.
Enviada em 25/07/2020
" A Belle Époque", que houve no início do século XX, na Europa, foi um período pós revolucionário industrial, a qual a população estava passando por alterações nas relações trabalhísticas e transformações no modo de vida da época. Voltando-se à contemporaneidade, é cognoscível que essas modificações implicaram no chamado processo de “globalização”, uma vez que difundiu o estilo de vida industrial em outros países, principalmente, nos sul-americanos, visto que provocou mudanças no processo de produção fabril e nos costumes alimentícios da sociedade, que passaram a consumir mais alimentos ultraprocessados, que culminou na elevação dos índices de doenças autoadquiridas na comunidade nacional e fomentaram o detrimento da identidade cultural populacional.
Vale ressaltar, de início, que, no Brasil, nos últimos 30 anos, houve um crescimento linear de pessoas portadoras de diabetes e hipertensão em todo território nacional. De acordo com um levantamento feito pela Vigilância de Fatores de Risco e para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (VIGITEL), publicado em 2014, cerca de 24,1% da população adulta brasileira sofre com hipertensão e, aproximadamente, 6,9% da comunidade em geral têm diabetes. À vista disso, é notório que as relações trabalhísticas modernas impostas pelo sistema capitalista são os regulamentadores dos mecanismos de convívio societário, que, em compêndio, fomenta o consumo exacerbado de alimentos industrializados e é fator limitante para subsumir a parcela populacional na prática de esportes.
Em segundo plano, nota-se que a globalização é o principal ocasionador das modificações culturais na sociedade moderna. Nesse viés, o artigo publicado pela mestre em ciências sociais Susana Bleil, aponta a utilização de alimentos ultraprocessados como um grave problema da identidade cultural contemporânea, uma vez que os países estão desempossando dos seus costumes gastronômicos e estão adquirindo características cada vez mais semelhantes entre si. Nesse espectro, é compreensível que essa perca cultural é gravíssima para um país, dado que é por esse meio que se denota suas particularidades e o seu passado histórico, que, de modo geral, são irreparáveis e são essenciais para provocar a comoção patriótica na população.
Em suma, medidas são essenciais para minorar tais imbróglios no país. Primordialmente, o Ministério da Saúde deve realizar palestras e minicursos em todos os Programas de Saúde da Família (PSFs), a qual a finalidade é promover debates acerca da importância da prática de exercícios físicos e da alimentação saudável, cujo objetivo é reduzir os números de doenças cardiovasculares na população e difundir o conhecimento a respeito dessa temática pelo público. Sendo assim, ações desse tipo minorariam o consumo de alimentos industrializados e evitaria a perca da identidade cultural estatal.